Coronavírus

Retomada ligação marítima entre Macau e Hong Kong: 60 quilómetros separaram famílias durante três anos

Viajantes no porto de Hong Kong partem rumo a Macau.
Viajantes no porto de Hong Kong partem rumo a Macau.
Tyrone Siu

As ligações marítimas entre as duas regiões administrativas estavam suspensas desde fevereiro de 2020, deixando a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau como única ligação, ainda assim com quarentenas obrigatórias que chegaram a ser de 28 dias.

As ligações marítimas entre a península de Macau e Hong Kong foram retomadas esta quinta-feira, permitindo o reencontro de familiares que, durante quase três anos estiveram separados, a apenas 60 quilómetros de distância, devido à pandemia da covid-19.

Já há dias que os cerca de 300 bilhetes para a primeira viagem do dia entre o terminal marítimo do Porto Exterior, em Macau, e Sheung Wan, no centro de Hong Kong, estavam esgotados.

Quatro dos bilhetes foram para a família de Abigail, que até faltou às aulas no Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes, o único infantário de língua portuguesa em Macau.

"Vou ver o meu avô e a minha avó e os meus tios", disse rapidamente à Lusa a menina, de "quase cinco anos", que desde 2019 não está com os familiares de Hong Kong.

"Sinto muito a falta deles"

"Sinto muito a falta deles", confessou Abigail, por detrás de uma máscara decorada com figuras do Ano Novo Lunar.

"Já vamos almoçar com eles, mas primeiro temos de ir renovar o teu BIR [Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong]", prometeu a mãe.

Também há três anos que Kei Kei, de 28 anos, não via o padrasto, a trabalhar na logística de mercadorias em Hong Kong, um dos maiores portos do mundo.

"Ele já tem alguma idade e nem eu nem a minha mãe queríamos que ele andasse a fazer quarentenas tão longas. Eu trabalho com idosos, em lares e centros de reabilitação e não podia deixá-los durante tanto tempo", disse à Lusa.

Ligações marítimas estavam suspensas desde 2020

As ligações marítimas entre as duas regiões administrativas estavam suspensas desde fevereiro de 2020, deixando a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau como única ligação, ainda assim com quarentenas obrigatórias, que chegaram a ser de 28 dias, à entrada em Macau.

"Quando isto [a pandemia] começou, não fazíamos ideia que ia ser tão duro", disse Kei Kei com um suspiro. "Pensámos que ia ser só uns meses no máximo", acrescentou.

À semelhança da China continental, Macau seguiu até meados de dezembro a política 'zero covid', apostando em testagens em massa, confinamentos de zonas de risco e quarentenas à chegada. O fim destas medidas chegou no mês passado, depois de quase três anos de restrições rigorosas.

Restrições que fizeram mesmo com que o padrasto não pudesse estar presente quando Kei Kei se casou com um cidadão luso-brasileiro, em outubro de 2021, no Consulado-geral de Portugal em Cantão, capital da província vizinha de Macau.

"Foi uma cerimónia pequena e rápida, mas ele não pôde vir", lamentou a jovem.

Regresso gradual das ligações entre Macau e Hong Kong

No final de dezembro, Macau retomou a ligação marítima com o aeroporto de Hong Kong, com duas viagens de ida e volta semanais entre o terminal do Pac On, na Taipa, e o Skypier do aeroporto.

Já em janeiro foi a vez de regressarem as ligações entre o terminal marítimo de passageiros da Taipa e o de Sheung Wan, com cerca de dez carreiras de ida e volta.

A operadora é a Turbojet, que faz parte do império fundado pelo magnata Stanley Ho, falecido em 2020, e que abrange a operação de 13 casinos em Macau e em Portugal, do Casino de Lisboa e do Casino do Estoril.

De acordo com os Serviços de Saúde de Macau, 114 pessoas morreram de covid-19 no território desde o início da pandemia, em 11 de março de 2021.

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