Alterações Climáticas

"Não temos de sacrificar saúde dos oceanos para necessidades humanas"

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Declarações da secretária-geral da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU.

A secretária-geral da Convenção sobre Diversidade Biológica, Elizabeth Mrema, sublinhou esta terça-feira, num debate de alto nível na Organização das Nações Unidas, que a saúde dos oceanos não tem de ser sacrificada frente às necessidades humanas.

"Não temos de sacrificar saúde dos oceanos para necessidades humanas (...) se usarmos abordagens sustentáveis e recursos pouco utilizados" disse a responsável do tratado da ONU sobre biodiversidade, num debate de alto nível sobre oceanos, realizado pela Assembleia-Geral da ONU com apoio do Quénia e Portugal.

O evento realizado hoje na sede da ONU, em Nova Iorque, é visto como uma plataforma para obter mais reforços e progressos até à Conferência dos Oceanos que se realizará em Lisboa no próximo ano, depois de ser adiada devido à pandemia de covid-19.

"Pensar que os nossos objetivos para crescimento económicos e desenvolvimento são separados da natureza tem sido uma causa maior para degradação dos ecossistemas", garantiu Elizabeth Mrema, acrescentando que a fragmentação entre capacidades, recursos e esforços travam o progresso na proteção da vida marinha e da biodiversidade no geral.

A secretária executiva do secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica alertou que ainda existe uma grande degradação dos oceanos e que "porções largas" da sociedade e setores económicos ainda têm de ser educados para a conservação dos oceanos.

"Conservar, gerir sustentavelmente e restaurar a biodiversidade podem realmente reduzir custos e ser bons para os negócios", sublinhou ainda Elizabeth Mrema.

Ligia Noronha, secretária-geral adjunta da ONU, declarou que a sociedade tem ainda de compreender "todo o potencial que os oceanos têm para contribuir para o desenvolvimento sustentável".

Para além de uma "abordagem holística" e inovação, a diretora do Escritório das Nações Unidas para o Programa Ambiental (UNEP, na sigla em inglês) sublinhou que são precisas "mudanças drásticas" na gestão das atividades económicas, consumo e produção, principais atividades que provocam impactos nos oceanos.

"Os impactos da exploração de petróleo, poluição, desenvolvimento costeiro e mudanças climáticas estão a tornar-se cada vez mais visíveis" nos oceanos, lembrou a responsável.

Ligia Noronha acrescentou que "proteger, produzir e prosperar" são as palavras-chave para ter oceanos sustentáveis.

O presidente da Assembleia-Geral da ONU, Volkan Bozkir, destacou que "a relação com os oceanos do planeta tem de mudar", posição apoiada pelo ministro português do Mar neste debate de alto nível sobre oceanos.

Ricardo Serrão Santos, ministro português do Mar, defendeu que uma "nova forma de interagir com os oceanos, mais inclusiva e mais conectada" é a "ambição" para 2022 e explicou que tal pode ser conseguido através das áreas de ciência, inovação, cooperação e "coordenação a todos os níveis", capacitação e financiamento.

Volkan Bozkir apresentou algumas expectativas para os Estados-membros da ONU na Conferência dos Oceanos que se realizará em Lisboa em 2022, como "chegar com provas demonstráveis" do progresso na "saúde dos oceanos".

"Escolhamos chegar a Portugal com realizações e progressos que inspiram esperança e otimismo para um amanhã melhor", declarou o presidente da Assembleia-Geral da ONU.