Alterações Climáticas

Alterações climáticas. Eis o “código vermelho para a humanidade”

Thomas Mukoya

Relatório assinado por mais de 200 cientistas revela que metas de Paris não serão cumpridas.

O clima na Terra está a ficar tão quente que as temperaturas irão ultrapassar um nível de aquecimento que os líderes mundiais têm tentado evitar, de acordo com um relatório divulgado esta segunda-feira pelas Nações Unidas. Este é o “código vermelho para a humanidade”.

“É garantido que vai piorar”, disse a co-autora do relatório Linda Mearns, cientista norte-americana. “Não vejo nenhuma área que seja segura…Nenhum lugar para onde correr, nenhum lugar para nos escondermos”, continuou.

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre as alterações climáticas (na sigla em inglês IPCC), que considera as alterações climáticas um fenómeno claramente provocado pelo homem, faz previsões mais precisas e mais pessimistas do que o último, publicado em 2013.

Segundo o documento, as emissões de carbono vão ultrapassar os limites definidos no acordo de Paris de 2015. Os líderes mundiais tinham-se comprometido a limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC, mas a linha vermelha está prestes a ser alcançada. O planeta já aqueceu quase 1,1ºC no último século.

Em todos os cenários traçados pelo Painel das Nações Unidas, o planeta vai ultrapassar a marca de 1,5ºC já na década de 2030, mais cedo do que previsões anteriores.

O relatório com mais de 3.000 páginas da autoria de 234 cientistas revela que o aquecimento do planeta já está a acelerar o aumento do nível do mar, a provocar o degelo e a agravar fenómenos extremos como ondas de calor, secas, inundações e tempestades. Os ciclones tropicais estão a ficar cada vez mais fortes e húmidos, enquanto o gelo do Ártico está a diminuir no verão. Todas estas tendências vão piorar.

Os cientistas atribuem o aquecimento na Terra às emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono e o metano.

Os cinco cenários possíveis

O relatório descreve cinco cenários futuros diferentes com base da rapidez com que o mundo é capaz de reduzir a emissão de gases. São eles: um futuro com cortes drásticos e rápidos da poluição; outro com cortes intensos mas não tão massivos; um cenário com emissões moderaras; um quarto onde os planos atuais para fazer pequenas mudanças continuam e um quinto onde a poluição continua a aumentar.

Existe a possibilidade, em três dos cenários, de a temperatura exceder o aumento de 2ºC em relação aos tempos pré-industriais com ondas de calor piores, secas e chuvas fortes a “menos que ocorram, nas próximas décadas, reduções drásticas de emissão de gases com efeito de estufa”.

“Este relatório diz-nos que as mudanças recentes são generalizadas, rápidas e intensas”, disse o vice-presidente da IPCC, Ko Barret.

No pior cenário, o mundo poderá aquecer 3,3ºC, mas não é essa a tendência, explicou o cientista Zeke Hausfather. Alías, as soluções extremas parecem ser improváveis até porque o mundo caminha para o cenário entre a implementação de pequenas mudanças e as emissões moderadas.

Ao chamar o relatório de “código vermelho para a humanidade”, o secretário das Nações Unidas, António Guterres, revela uma ponta de esperança de que os líderes mundiais ainda sejam capazes de evitar o aquecimento de 1,5º, que diz ser “perigosamente próximo”.

A ativista ambiental Greta Thunberg diz que o relatório “não contém surpresas”, apenas “confirma o que já se sabia de milhares de estudos e relatórios anteriores”.

“Estamos numa emergência”, escreveu nas redes sociais.

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