Crise nos combustíveis

Greve dos motoristas: 14 trabalhadores falharam requisição civil

Armando Franca

Revelação feita pelo ministro do Ambiente.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, revelou que 14 trabalhadores não cumpriram esta terça-feira a requisição civil decretada pelo Governo na greve dos motoristas.

"Foi-nos comunicado [pelas empresas] o não cumprimento da requisição civil por parte de 14 trabalhadores", disse o ministro do Ambiente em conferência de imprensa de balanço do segundo dia da greve dos motoristas, no Ministério do Ambiente, em Lisboa.

O ministro informou também que a 11 desses trabalhadores "já foi feita a devida notificação", referindo que primeiro é feita a "notificação do incumprimento e depois é que há a notificação de estarem a cometer um crime de desobediência".

Em relação aos restantes três trabalhadores, estão ainda "por encontrar e notificar", acrescentou João Pedro Matos Fernandes.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes (D), acompanhado pelo secretário de Estado da Energia, João Galamba

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes (D), acompanhado pelo secretário de Estado da Energia, João Galamba

JOÃO RELVAS

GOVERNO DESMENTE CONSTRANGIMENTOS NOS HOSPITAIS

O Ministério da Saúde afirma desconhecer constrangimentos no abastecimento de bens essenciais aos hospitais, como gases medicinais, lembrando que o fornecimento às unidades de saúde está garantido nos termos da resolução do Conselho de Ministros.

A resposta do Ministério à agência Lusa surgiu depois de um alerta da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) que indicava que o abastecimento a hospitais das zonas de Lisboa, Leiria e Coimbra "ficam, nas próximas 24 horas, seriamente comprometidos", na sequência da greve de motoristas de matérias perigosas.

"O Ministério da Saúde não tem conhecimento, até ao momento, de constrangimentos no fornecimentos de quaisquer bens essenciais, designadamente gases medicinais, aos hospitais/centros de saúde, estando todas as unidades a funcionar normalmente", referiu a resposta oficial enviada à agência Lusa.

O Ministério recorda ainda que "o abastecimento aos hospitais e centros de saúde está garantido através do acesso à REPA (Rede Estratégica de Postos de Abastecimento)" e que "está ainda garantido o acesso de todas as entidades, definidas como prioritárias, que prestem serviços de emergência médica e de transporte de medicamentos e dispositivos médicos", conforme a resolução de Conselho de Ministros de 9 de agosto.

ANTRAM REAFIRMA RISCO

Apesar do Ministério da Saúde desmentir, a Antram reafirma que, dentro de um dia, o abastecimento dos hospitais pode mesmo estar comprometido.

SINDICATOS ANTECIPAM FERIADO COM MENOS MOTORISTAS

Esta quinta-feira é feriado em Portugal e os serviços mínimos prevêem que haja o mesmo número de trabalhadores que em qualquer outro feriado.

Por essa razão, são esperados menos motoristas ao serviço, como explicou Pedro Pardal Henriques, porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP).

A saída de camiões cisterna, na tarde desta terça-feira, da Companhia Logística de Combustíveis, em Aveiras de Cima, gerou revolta no piquete de greve ali concentrado, que insultou os motoristas que os conduziam.

"Cobardes" e "traidores" foram algumas das palavras proferidas por um grupo de trabalhadores perante a saída de alguns colegas com os camiões, no segundo dia de greve dos motoristas.

Elementos do piquete de greve colocam um cartaz junto à da sede da Companhia Logística de Combustíveis

Elementos do piquete de greve colocam um cartaz junto à da sede da Companhia Logística de Combustíveis

ANTÓNIO COTRIM

A greve, que começou na segunda-feira e decorre por tempo indeterminado, foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Ao fim do primeiro dia de paralisação, o Governo decretou a requisição civil, alegando o incumprimento dos serviços mínimos.