Crise Migratória na Europa

França quer devolver ao país de origem 44 das 234 pessoas resgatadas pelo Ocean Viking

França quer devolver ao país de origem 44 das 234 pessoas resgatadas pelo Ocean Viking
GUILLAUME HORCAJUELO

Governo francês considera não terem direito a pedir asilo político.

O governo francês prevê devolver aos seus países de origem 44 das 234 pessoas resgatadas do Mediterrâneo pelo navio humanitário Ocean Viking e desembarcadas em França, por considerar não terem direito a pedir asilo político.

O anúncio foi feito pelo ministro do Interior, Gérald Darmanin, durante um debate sobre a imigração na Assembleia Nacional, no qual disse que essas pessoas serão levadas para os seus países de origem "quando o seu estado de saúde o permitir".

O Governo foi de novo atacado na sessão parlamentar pela União Nacional (RN), de extrema-direita, por ter permitido o desembarque destes migrantes, que o Governo italiano rejeitou.

A deputada Laura Lavalette acusou o executivo de ter uma política de "acolher e distribuir" os imigrantes, uma medida que "favorece a clandestinidade", enquanto o RN propõe "ajuda e regresso".

"Os traficantes de seres humanos ganharam", insistiu a deputada, que lamentou que o Governo não faça "nada" para redirecionar a situação, na qual, segundo ela, as máfias e os barcos de migrantes colidem com navios humanitários no Mediterrâneo.

O ministro respondeu insistindo que a decisão de acolher o navio, na passada sexta-feira, no porto militar de Toulon (sudeste), foi por razões "humanitárias".

"Mostrámos humanismo, enquanto (a deputada) faz politização", recriminou o ministro, que perguntou a Lavalette: “Teria deixado 57 crianças morrer?”

A França já tinha anunciado que apenas permaneceriam no país os resgatados pelo Ocean Viking legalmente em condições de pedir asilo, e que o resto seria devolvido aos seus países de origem.

Onze países europeus concordaram com a França em acolher dois terços dos que podiam ficar, o que Paris destacou como uma demonstração de "solidariedade" em contraste com a política do governo italiano, presidido pela líder de extrema-direita Giorgia Meloni.

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