Daesh

Mais um francês levado a tribunal no Iraque por terrorismo e ligações ao Daesh

Quatro franceses já foram condenados à morte no Iraque.

O francês Brahim Nejara, acusado pelos serviços de informação franceses de ter facilitado o envio de jihadistas para a Síria, foi apresentado hoje a um tribunal iraquiano, que já condenou quatro de seus compatriotas à morte.

De acordo com um jornalista da agência de notícias AFP, no total 12 franceses foram transferidos da Síria para o Iraque no final de janeiro e devem ser julgados em Bagdad por pertencer ao grupo extremista Daesh.

Além de Brahim Nejara, de 33 anos, outros franceses poderão comparecer hoje diante do tribunal, segundo uma fonte judicial iraquiana.

A audiência de Nejara acontece depois das sentenças de morte proferidas pelo tribunal iraquiano, entre domingo e segunda-feira, de Kévin Gonot, Léonard Lopez, Salim Machou e Mustapha Merzoughi.

Todos agora têm 30 dias para recorrer da sentença e o advogado francês de Léonard Lopez já anunciou que o fará.

Hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, assegurou à rádio France Inter que a França "está a multiplicar as medidas para evitar a pena de morte a estes quatro franceses".

"Somos contra a pena de morte e dizemos isso (...). Eu mesmo lembrei ao Presidente do Iraque, o Presidente (Barham) Saleh, a nossa posição", acrescentou o ministro.

Jean-Yves Le Drian também reiterou a posição de princípio de Paris, que recusa o regresso e o julgamento dos seus nacionais filiados no Daesh em França.

"Esses terroristas, porque são terroristas que nos atacaram, que também semearam a morte no Iraque, devem ser julgados onde cometeram os seus crimes", considerou o ministro.

A lei iraquiana prevê a pena de morte para qualquer pessoa que tenha aderido a uma organização "terrorista".

Bagdad já condenou mais de 500 estrangeiros do Daesh, até agora nenhum deles foi executado.

Brahim Nejara, de origem tunisiana, que se chamava Abu Suleiman al-Tounsi no Daesh, apareceu num vídeo de propaganda do grupo extremista depois dos ataques de novembro de 2015 na França (130 mortos), segundo o Centro de Análise do Terrorismo (CAT), com sede em Paris.

Original de Meyzieu, perto de Lyon, no centro-leste da França, de onde vários jihadistas franceses partiram, Nejara também incitou um de seus irmãos a cometer um ataque em França, segundo a mesma fonte.

Na Síria, segundo o CAT, conviveu com Foued Mohamed-Aggad, um dos atacantes do Bataclan, a sala de espetáculos onde ocorreu um ataque em novembro de 2015 e provocou cerca de 150 mortos.

Lusa