Eleições nos EUA

Donald Trump admite pela primeira vez hipótese de derrota

Carlos Barria

Foi a primeira conferência de imprensa de Trump desde que foi anunciada a vitória do candidato democrata e agora Presidente eleito, Joe Biden.

O ainda Presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, admitiu esta sexta-feira, pela primeira vez, que poderá não vencer as presidenciais, hipótese que o chefe de Estado norte-americano nega desde que o democrata Joe Biden foi declarado vencedor.

Trump fez uma declaração, na Casa Branca, em Washington, sobre a propagação da pandemia nos Estados Unidos da América (EUA) e os avanços no desenvolvimento de vacinas e terapêuticas para combater o SARS-CoV-2, em que nem por uma vez referiu o nome do presidente eleito.

"Idealmente, não iremos para um confinamento, eu não irei para um confinamento, esta administração não irá para um confinamento. Esperançosamente, o que quer que aconteça no futuro, quem sabe que administração será... Acho que o tempo dirá", disse o chefe de Estado dos EUA.

Esta foi a primeira conferência de imprensa de Trump desde que foi anunciada a vitória do candidato democrata e agora Presidente eleito, Joe Biden - de acordo com as previsões feitas por vários órgãos de comunicação social norte-americanos, como, por exemplo, a CNN, o The New York Times, o The Washington Post, entre outros.

O ainda Presidente aproveitou a declaração para falar sobre o anúncio de uma vacina contra a covid-19, desenvolvida pela farmacêutica multinacional Pfizer e pela BioNTech, que cuja eficácia anunciada de 90% "excedeu largamente as expectativas".

Trump diz que vacinação começa dentro de semanas

Donald Trump falou também do investimento que a sua administração fez na Operação Warp Speed e deixou um aviso à Pfizer, que admitiu não pertencer a esta parecia público-privada, iniciada pela administração Trump, para facilitar e acelerar o desenvolvimento, fabricação e distribuição de vacinas, terapêuticas e diagnósticos contra a covid-19.

"A Pfizer disse que não pertencia à [Operação] Warp Speed, mas isso foi uma representação infeliz. Eles fazem parte [da parceria], foi por isso que lhes demos os 1,95 mil milhões de dólares e foi um erro infeliz quando o disseram", considerou Trump.

O Presidente dos Estados, que sempre foi cético em relação ao distanciamento físico e à utilização de máscaras como maneiras de combater a disseminação do novo coronavírus, mudou o discurso e pediu à população para estar "vigilante, principalmente, à medida que o tempo fica mais frio".

Trump finalizou a declaração e afastou-se do púlpito, não permitindo quaisquer questões dos jornalistas.

O update de Trump sobre a evolução da pandemia no país surge dias depois de o Presidente eleito, Joe Biden, anunciar a constituição de uma equipa para encontrar respostas a esta crise.

Também hoje, vários órgãos de comunicação social norte-americanos, entre os quais a NBC e a CNN, projetaram a vitória de Biden com 306 delegados do Colégio Eleitoral, contra 232 de Trump.

Biden conseguiu "virar" a Geórgia para os democratas e arrecadou os 16 grandes eleitores, enquanto Trump venceu na Carolina do Norte (15 grandes eleitores).

Biden já tinha ultrapassado os 270 delegados no Colégio Eleitoral - a metade dos 538 grandes eleitores deste órgão mais um - necessários para garantir a vitória nas eleições presidenciais.

O Colégio Eleitoral é um órgão integrado por 538 delgados eleitos pelos estados em função da sua população. O candidato vencedor em cada estado, mesmo que seja por um único voto, garante todos os representantes desse estado, com exceção do Nebrasca e Maine.

O candidato que obtiver pelo menos 270 grandes eleitores vence as eleições.

Contudo, a candidatura de Trump continuam a tentar encontrar evidências de fraude eleitoral para reverter os resultados das presidenciais, mas todas as tentativas falharam até agora.

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