Eleições nos EUA

EUA. Procurador-geral reconhece que não há provas de fraude eleitoral

POOL New

Reconhece que não houve fraude em dimensão suficiente para invalidar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais.

O procurador-geral dos Estados Unidos da América, William Barr, reconheceu esta terça-feira que não houve fraude em dimensão suficiente para invalidar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais norte-americanas.

"Nesta altura, não vimos fraude a uma escala suscetível de mudar o resultado da eleição", disse o responsável pelo Departamento de Justiça em entrevista à agência de notícias norte-americana Associated Press.

O conservador Barr, apoiante indefetível do presidente cessante, Donald Trump e um dos proponentes da teoria de os votos por correspondência poderem ser manipulados por potências estrangeiras, declarou que "houve alegações de fraudes sistemáticas, segundo as quais as máquinas [de voto] teriam sido programadas para falsear os resultados das eleições".

O Departamento de Justiça e da Segurança Interna norte-americanos investigaram essas alegações e, "até agora, não encontraram nada que as sustentasse", afirmou.

Esta terça-feira à tarde, Barr foi chamado à Casa Branca, levantando especulações por parte de vários comentadores sobre uma possível demissão.

No domingo passado, em entrevista à Fox News, Donald Trump queixou-se da atuação de Barr e das autoridades federais, afirmando que não o estavam a ajudar na contestação aos resultados e na procura de provas de fraude: "eles desapareceram", declarou o presidente cessante.

Esta terça-feira, William Barr afirmou que "há uma tendência crescente para usar o sistema judiciário como ferramenta para resolver todos os problemas".

"Quando alguém está descontente com alguma coisa, fica à espera que o procurador-geral investigue", afirmou.

Investigação a "alegações substanciais"

No mês passado, Barr autorizou os procuradores norte-americanos a investigar "alegações substanciais" de irregularidades eleitorais, mesmo antes de os resultados serem certificados, apesar de na altura não existirem provas de fraude em larga escala.

No memorando que emitiu, mandatou os procuradores para contornarem a política seguida habitualmente pelo Departamento de Justiça, que impedia esse tipo de investigação antes da confirmação dos resultados.

A equipa de advogados que representa o presidente cessante, liderada por Rudy Giuliani, tem alegado a existência de uma conspiração do Partido Democrata para introduzir milhões de votos ilegais no escrutínio, mas sem apresentar provas concretas.

O principal argumento que apresentaram em vários processos em tribunal nos estados cujos resultados contestam e que poderiam ser determinantes para um resultado diferente é que os observadores republicanos enviados para assistir à contagem em algumas mesas de voto não conseguiram ver claramente o processo. Daí, alegam que se devem ter verificado ilegalidades.

Trump já perdeu 40 processos em tribunal

Donald Trump continua a insistir na ideia de fraude, mas no estado de Wisconsin a recontagem não só confirmou a vitória de Biden como ainda lhe acrescentou votos.

Alguns dos maiores apoiantes de Trump acabaram desiludidos com os resultados. Um empresário da Carolina do Norte doou 2 milhões e meio de euros para combater a fraude eleitoral evocada pelo presidente a um grupo texano, que prometeu dar entrada de processos em sete estados norte-americanos. O grupo desistiu e agora o empresário quer o dinheiro de volta

Desde o dia das eleições, a equipa legal de Donald Trump já perdeu perto de 40 processos em tribunal.

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