Eleições nos EUA

Eleições nos EUA. Trump perde ação em Wisconsin para anular 221 mil cédulas de voto

Oliver Contreras / POOL

Anulação dos votos revertia a derrota naquele Estado.

O presidente norte-americano Donald Trump perdeu esta sexta-feira uma ação judicial em Wisconsin destinada a desqualificar mais de 221.000 cédulas de voto e anular a derrota naquele Estado para o democrata Joe Biden, noticiou a AP.

O juiz Stephen Simanek decidiu contra todos os argumentos que os advogados de Trump apresentaram contra as cédulas nos dois maiores condados do Estado, fundamentando a decisão judicial de que a eleição decorreu de maneira adequada e que não houve irregularidades como o presidente em exercício, Donald Trump, alegou.

"O ponto principal aqui é que o tribunal deve fazer tudo para garantir que a vontade dos eleitores prevaleça", justificou o juiz.

Face a isto, Trump rapidamente recorreu da decisão desfavorável para o Supremo tribunal de Wisconsin, controlada pelos conservadores, para que revogue a decisão do tribunal de primeira instância.

Trump intentou também um processo federal em Wisconsin, onde o juiz pode decidir já na sexta-feira sobre alegadas irregularidades nas últimas eleições presidenciais.

O Supremo tribunal de Wisconsin recusou-se anteriormente a analisar o caso de fraude eleitoral invocado por Trump antes de o processo passar pelos tribunais inferiores.

A maioria dos juízes também questionou se a desqualificação das cédulas de voto, como Trump pretendia, seria apropriada.

Trump pediu aos juízes de instâncias inferiores que decidissem rapidamente para que ele pudesse apelar antes que o Colégio Eleitoral se reunir na segunda-feira e dê os 10 votos de Wisconsin para Biden. Isso criou a possibilidade de ocorrer uma invulgar decisão a ser tomada durante o fim de semana pelo Supremo tribunal estadual.

Biden venceu em Wisconsin por cerca de 20.600 votos

Biden venceu em Wisconsin por cerca de 20.600 votos, uma margem escassa de 0,6%, que resistiu a uma recontagem solicitada por Trump nos dois maiores condados do estado: Milwaukee e Dane. Trump não contestou contudo qualquer cédula de voto nos condados em que ganhou.

Trump pretende desqualificar as cédulas de votos de ausentes dados antecipadamente e pessoalmente, dizendo que não havia um pedido por escrito adequado feito para as cédulas, bem como votos de ausentes lançados por pessoas que alegaram o estatuto de de "confinado indefinidamente".

Em contestação estão também os votos de ausentes recolhidos por funcionários eleitorais nos parques de Madiso e cédulas ausentes, em que os funcionários preencheram as informações que faltavam nos envelopes de voto.

Um dos advogados de Trump, Troupis, argumentou que os funcionários dos condados de Milwaukee e Dane erraram em confiar na orientação da Comissão Eleitoral de Wisconsin sobre cédulas de voto de pessoas ausentes.

Troupis argumentou que as orientações, algumas das quais já existiam há anos ou foram modificadas face à pandemia do coronavírus para tornar mais fácil a votação de pessoas confinadas , contradiz a lei estadual.

O advogado de Biden, John Devaney, argumentou que todos os que votaram nas eleições presidenciais o fizeram "em total conformidade com as leis em vigor na época da eleição".

Em seu entender, não há evidências de fraude ou atividade ilegal, sustentou Devaney, alegando que Trump "cinicamente" direcionou as cédulas lançadas nos dois condados mais urbanos e não brancos de Wisconsin para a desqualificação das cédulas de votação.

Devaney observou que ninguém contestou as leis que estavam em vigor antes desta eleição, incluindo Trump quando ele ganhou no Estado de Winsconsin nas presidenciais de 2016.

O juiz concordou com os advogados de Biden que a lei de Wisconsin foi cumprida durante a eleição e recontagem.

Trump e os seus aliados têm sofrido uma série de derrotas em Wisconsin e em todo o país em ações judiciais que se baseiam em alegações de fraude generalizada e abuso eleitoral.

Um juiz federal nomeado por Trump em Wisconsin admitiu hoje que o processo do presidente foi "incrível", "bizarro" e "muito estranho", e que anular os resultados eleitorais seria "a decisão mais notável da história do sistema judiciário federal".

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