Presidenciais

"Eram precisos três Salazares": candidatos a Belém trocam acusações após declaração de Ventura

A menos de três meses das eleições presidenciais, continua a troca de acusações entre candidatos. Gouveia e Melo acusa André Ventura de ter tendências ditatoriais e Marques Mendes diz que o candidato do Chega quer minar a democracia.

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Durante uma entrevista à SIC, o candidato presidencial apoiado pelo Chega já tinha defendido o legado de Salazar para pôr o país na ordem. Num almoço comício no Funchal, voltou a insistir na ideia.

"Só é preciso três Salazares porque eles deixaram isto tornar-se uma bandalheira completa. Só é preciso três Salazares porque deixaram isto inundar de corrupção. Só é preciso três Salazares porque deixaram entrar toda a gente sem pedir cadastro, sem pedir quem eram, se tinham cometido crimes ou não", disse Ventura no Funchal.

Gouveia e Melo acusa André Ventura de ser um "saudosista" da ditadura e recorda um país marcado pela pobreza. O candidato defende que Ventura "pelos vistos, tem algumas tendências ditatoriais" e que "gostaria eventualmente de ser presidente da Venezuela e poder mandar prender opositores"

O almirante atira ainda que "só para quem não tem memória verdadeira do regime antigo que atrasou Portugal, que era opressivo e que era uma ditadura" é que seria preciso Salazar.

Ventura também acusou os restantes candidatos a Belém de quererem vender o país. Luís Marques Mendes passou o domingo na feira anual de Santa Iria e tem argumentos para troca.

"Acho que este homem não pode ser Presidente da República, nem vai ser Presidente da República. Explico porquê: primeiro porque o país precisa de um Presidente para unir os portugueses. Ora, este homem está aqui para pôr portugueses contra portugueses. Não pode ser Presidente da República. Este homem está aqui para minar, e se possível, para tentar destruir a democracia. Este homem não respeita nada, nem respeita ninguém", acusou Marques Mendes.

André Ventura divulgou há dois dias nas redes sociais uma frase sobre a lei da nacionalidade atribuída à Gouveia e Melo. O almirante acusa o candidato do Chega de mentir.

"Há um ator político no sistema que gosta de colocar palavras na boca dos outros para criar determinados efeitos. Agora, criar efeitos com base em mentiras, em democracia, para mim é um defeito. E não vale tudo em democracia", defendeu Gouveia e Melo.

No fim de semana, os candidatos andaram na rua a sentir o pulso ao eleitorado. António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo apostaram no contato com as pessoas e distanciaram-se dos partidos.

"A quantidade de pessoas de outros partidos que me vão apoiar é absolutamente impressionante. Eu sou um Presidente independente, sou um Presidente livre e sem amarras", declarou Cotrim Figueiredo.

Já Marques Mendes ganhou um apoio de peso. Vai ter ao seu lado o antigo ministro do PSD Nuno Morais Sarmento.