Presidenciais

ENTREVISTA SIC NOTÍCIAS

Rui Moreira admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém

O presidente cessante da Câmara do Porto é o mandatário da candidatura de Luís Marques Mendes. Diz que, apesar das “diferenças ideológicas” que têm, o social-democrata é o único candidato que mostra “respeitar a separação de poderes” e que não ameaça interferir nas funções do Governo.

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Rui Moreira admite que o facto de João Cotrim Figueiredo ter entrado na corrida a Belém o levou a não avançar com uma candidatura própria. O presidente cessante da Câmara do Porto, que é agora mandatário de Luís Marques Mendes, declara “impossível” uma vitória do social-democrata à primeira volta. 

Em entrevista à SIC Notícias, Rui Moreira rejeita que o facto de ter ponderado uma candidatura a Presidência da República, já depois de Marques Mendes ter anunciado que seria candidato, signifique que não se revia naquele candidato. Alega que apenas escutara algumas vozes que consideravam que havia espaço para uma outra candidatura ao centro – mas que isso foi “antes de João Cotrim Figueiredo” ter entrado na corrida e quando as sondagens não davam um grande resultado ao candidato apoiado pelo PSD. 

Admite que Cotrim de Figueiredo ter avançado foi um fator que o levou a não ser ele mesmo candidato. “Se, de repente, aparecem várias pessoas com canas de pesca parecidas, a probabilidade de ganhar é menor”, afirma. Decidiu, então, não “dividir o eleitorado, nem canibalizar o espaço político”, preferindo aceitar o convite de Marques Mendes para ser mandatário.  

Marques Mendes defende os valores que eu defendo. E defender os valores que eu defendo para a Presidência da República é mais importante do que as diferenças ideológicas que nós, por ventura, tenhamos”, nota. 

Rui Moreira acredita que, estando na candidatura, ajudará Luís Marques Mendes a “alargar o espetro” de eleitorado. Mas não tem ilusões quando a uma vitória fácil. 

“À primeira volta, é impossível ganhar, aparentemente”, declara. “É muito provável que haja uma segunda volta.”

O presidente cessante da Câmara do Porto recusa escolher qual dos principais adversários de Marques Mendes será mais difícil de derrotar numa segunda volta. Mas deixa críticas tanto a André Ventura como a Henrique Gouveia e Melo. 

“Quando nós ouvimos os outros candidatos, ouvimos uma tentativa, ou pelo menos uma ameaça, de que vão governamentalizar. O dr. Marques Mendes dá-me a garantia da interpretação correta daquilo que são os direitos e os deveres de um Presidente da República, que é respeitar a separação de poderes e de “não se tentar substituir ao Governo”, refere. 

André Ventura não quer ser presidente de todos os portugueses. É um candidato que quer romper a estrutura do sistema”, prossegue. “Não sou dos que acha que não quer ganhar as presidenciais. Acho que quer ganhar as presidenciais e depois presidir ao Governo em São Bento” 

 Gouveia e Melo está “dento do sistema, mas acha que é o homem salvífico”, “o salvador, diz Rui Moreira. A forma como ele definiu a possibilidade de demitir Governo é um entendimento excessivo, a meu ver, dos poderes presidenciais.

Henrique Gouveia e Melo conta com o social-democrata Rui Rio – chamado de “eterno rival” de Rui Moreira – como mandatário da sua candidatura à Presidência da República. Questionado se esta participação na candidatura de Luís Marques Mendes não será também uma forma de “desassossegar” Rio, Rui Moreira rejeita que assim seja. Mas, entre sorrisos, diz ter “pena” de que Rui Rio não tenha concorrido à câmara do Porto contra ele.  

“Gostava de ter desafiado o dr. Rui Rio a isso, mas ele não quis. Mandou sempre outros por ele”, atirou.

Câmara do Porto e o atraso do Metrobus

E por falar na Câmara Municipal do Porto, rejeita declarar se Pedro Duarte, que será seu sucessor, é a escolha certa para a cidade. “Glória ao vencedor”, diz apenas, acrescentando que o social-democrata encontrará uma “câmara arrumada”.  

Pedro Duarte herda, contudo, pelo menos um problema: o metrobus do Porto, que ainda não entrou em funcionamento. Rui Moreia descarta responsabilidades. 

“Em qualquer cidade, as pessoas acham que o presidente da câmara é responsável por tudo”, afirma. “Pedro Duarte vai ter de pressionar a Metro do Porto, e vai ter melhores condições do que eu, para ver se há autocarros ou não há autocarros. 

Saúde? “Ministra transmite insensibilidade”

Rui Moreira foi também questionado sobre a atual situação na Saúde e a polémica após a morte de uma grávida e de uma bebé. O presidente cessante da Câmara do Porto considera que a ministra da Saúde “comunica mal” e que “transmite uma ideia de insensibilidade que, provavelmente, não lhe vai na alma”.

Afirma também que há um “problema de transparência” no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que a ministra “tem um problema de responsabilidade sobre uma estrutura que já lhe mentiu várias vezes”.

“Pelos vistos, mentiram-lhe, e foi para o Parlamento dizer coisas que lhe disseram e que, afinal, não correspondiam à realidade”, lê Rui Moreira, que, no entanto, desassocia este caso do estado do SNS.

Diz que se associarmos a tragédia da grávida e da bebé que morreram a responsabilidade política, então “assim ninguém pode ser ministro da Saúde”

Para o autarca cessante, o problema na Saúde é, na verdade, uma “gestão ineficiente”.

“Este governo cometeu um erro que foi manter as ULS tal como foram concebidas por Manuel Pizarro. Se queria manter esse sistema, devia ter mantido Fernando Araújo como diretor-executivo do SNS”, aponta. “Teria sido mais fácil para este Governo mantê-lo lá e, se corresse mal, dizia que a culpa era de quem o nomeou”.