António Filipe entrou na corrida às Presidenciais em julho, ainda não havia, nessa altura, nenhuma candidatura à Esquerda. Diz não se lembrar de nenhuma outra eleição para Presidente da República em que tenha havido apelos a desistências na primeira volta, mas garante que está na corrida para ficar: “A Esquerda tem que estar presente nestas eleições e eu estou aqui, para ir à segunda volta.”
Em entrevista à SIC Notícias, garante que, se for eleito, não será um porta-voz do PCP em Belém, primeiro porque o cargo tem “uma função clara”, que “não é governar o país”, mas fazer cumprir a Constituição; Depois, porque a sua candidatura, afirma, “transcende fronteiras partidárias”.
“Tenho dito que me dirijo a todos os cidadãos, independentemente do sentido de voto em eleições anteriores.”
Seguro, "um candidato que nem diz que é de Esquerda"
Vasco Lourenço, Capitão de Abril, apelou, em entrevista ao Observador, a uma “convergência à Esquerda” em torno da candidatura de António José Seguro. Mais do que ficar surpreendido com apelos a desistências na primeira volta, António Filipe não percebe o apelo para convergência num “candidato que nem diz que é de Esquerda”.
“Respeito muito Vasco Lourenço, mas acho que não tem razão. O apelo dele é para desistir a favor de um candidato que nem diz que é de Esquerda. Eu sou de Esquerda, sem mas nem meio mas”, garante.
Lembra ainda que as candidaturas a Presidente da República nunca resultaram de coligações ou entendimentos intrapartidários.
“A Esquerda tem que estar presente nestas eleições e eu estou aqui, para ir à segunda volta.”
E se não for à segunda volta?
Está aqui para “lutar para passar” à segunda volta e, por isso, António Filipe nem antecipa qualquer outro cenário. Sem “andar de calculadora na mão”, garante que não dará grande importância a sondagens, até porque recusa “vaticínios prévios”.
“Eu luto para passar, é esse o meu objetivo.”
Extrema-direita no Governo? Tudo fará para o evitar
Sublinhando que o país não precisa de um Presidente que acha que “manda nisto tudo”, lembra que este tem, no quadro constitucional, várias possibilidades para evitar que a extrema-direita chegue ao poder.
“Não contesto a legitimidade de resultados eleitorais, mas é evidente que explorarei todas as possibilidades para que a extrema-direita não chegue ao poder em Portugal”, garante.
Lembra, por exemplo, que é o Presidente da República quem escolhe o primeiro-ministro e que este não tem, necessariamente, que ser o líder do partido mais votado.
Recorda ainda a possibilidade de, em situações limite, recorrer à dissolução da Assembleia da República, um mecanismo que, esclarece, não pode ser usado de “ânimo leve”. E vai mais longe.
“O Presidente da República é o último reduto de defesa da Democracia, por isso é que Constituição prevê, se estiver em causa o regular funcionamento das instituições democráticas, poder demitir o Governo - nunca aconteceu e espero que nunca aconteça. (...) Levaria muito a sério esse dever.”

