Presidenciais

Entrevista

André Ventura em entrevista exclusiva à SIC

André Ventura formalizou a sua candidatura a Belém, depois de não ter encontrado, dentro do Chega, uma alternativa com “voz para mudar o país”. O líder do partido critica duramente a democracia portuguesa, que considera “podre”, e promete transformar o sistema político. Defende um controlo rigoroso da imigração, propõe alterações à Constituição e garante que será intolerante à corrupção se for eleito Presidente da República.

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André Ventura apresentou oficialmente a sua candidatura à Presidência da República no passado mês de setembro, admitindo ter falhado por não ter encontrado uma alternativa a si próprio que estivesse "à altura das aspirações" do seu partido. Após os resultados aquém das expectativas nas eleições autárquicas, o líder do Chega estabeleceu como objetivo ser o candidato mais votado na primeira volta das eleições de janeiro e obter um resultado "o mais expressivo possível" numa eventual segunda volta.

Em entrevista à SIC Notícias, André Ventura afirmou que não desejava candidatar-se, mas que a ausência de outros elementos do Chega com “voz para mudar o país e o regime” o levou a entrar em cena, encarando este desafio como uma “missão” com o objetivo de transformar profundamente o sistema político português.

Acusou a democracia portuguesa de estar “podre” e denunciou a existência de uma “epidemia de corrupção” no país, à qual pretende dar fim, afirmando que o lema da sua candidatura é colocar Portugal “na ordem”.

"Eu sou democrata por natureza, mas há uma expressão que se ouve muito e que faz sentido: não era preciso um Salazar, eram precisos três Salazares, porque o país está tão podre de corrupção, impunidade e bandidagem que seriam necessários três Salazares para pôr isto na ordem", defende.

Criticou o papel do Presidente da República, descrevendo-o como alguém que apenas “corta fitas”, “come bolo” e funciona como um “agente de marketing”. Garantiu que, se for eleito, terá como prioridade os portugueses, embora tenha reforçado que não se sente obrigado a representar todos, afirmando que alguns não merecem essa representação: “Alguns, o que mereciam era ir para a cadeia”, frisa.

Defende que é necessário proceder a alterações à Constituição, numa altura em que considera que o país precisa de um “abanão”, e garante que é isso que fará no próximo dia 18 de janeiro. André Ventura afirma querer ser o Presidente “dos que se sentem explorados pelo sistema” e dos “portugueses comuns”, acusando os antigos Chefes de Estado de apenas se preocuparem com as “minorias” e com os “poderosos”.

"Não são os imigrantes que nos estão a salvar"

Sobre imigração, André Ventura afirmou que esta não é a solução para os problemas do país, defendendo que não são os imigrantes que estão a salvar Portugal, mas sim que são os portugueses que, através do seu trabalho e esforço, estão a salvar os imigrantes.

André Ventura afirmou que quem vem para Portugal deve cumprir as regras, respeitar a cultura do país e não viver de subsídios. Defende um modelo semelhante ao da Suíça, dos Estados Unidos e do Canadá, países onde, segundo o candidato presidencial, quem chega deve estar legal e, caso não cumpra as normas, está sujeito a processo e eventual expulsão.

E se for eleito Presidente da República?

Questionado sobre o que os portugueses podem esperar caso vença a corrida a Belém, André Ventura garante que será um Presidente da República “intolerante à corrupção e à imigração descontrolada”, defendendo que a utilização do veto dependerá do “tipo de Governo” que estiver em funções.

Garante que daria posse a qualquer Governo eleito pelo povo português e que a dissolução do Parlamento não deve ser utilizada como um “modo de vida”, devendo ocorrer apenas em “casos muito específicos”: “Tudo farei para garantir estabilidade, mas não me peçam estabilidade para esconder corrupção, impunidade ou uma traição brutal à pátria portuguesa.”

[Última atualização às 23:07 - 24 de outubro 2025]