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Eleições presidenciais: o debate entre Luís Marques Mendes e António Filipe

António Filipe acusa Marques Mendes de "estar do lado do Governo" no que respeita à reforma laboral. Marques Mendes opta por defender o "diálogo social" e diz acreditar num acordo tripartido.

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Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD, e António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, estreiam-se esta terça-feira no ciclo de 28 debates presidenciais transmitidos na RTP, SIC e TVI, que arrancaram esta segunda-feira (veja aqui o confronto entre Seguro e Ventura).

A reforma laboral é um dos temas que abre o debate desta terça-feira entre Luís Marques Mendes e António Filipe, ambos com opiniões divergentes sobre o assunto.

O candidato apoiado pelos comunistas pede a retirada desta reforma, já Marques Mendes começou o debate defendendo que “não devemos dramatizar”, inclusive no que diz respeito à greve geral que é um direito das pessoas.

Marques Mendes defende um acordo tripartido entre o Governo, entidades patronais e UGT, manifestando otimismo neste acordo, mesmo que o mesmo só ocorra após a greve geral.

Já António Filipe distancia-se desta visão, rejeitando este documento independentemente da existência ou não de acordo. O comunista afirma que está em “profunda divergência” com o adversário uma vez que este está “preocupado com a greve geral”, mas António Filipe quer “impedir o pacote laboral” que inverte a “lógica do direito do trabalho” e desprotege os trabalhadores.

O candidato acusa ainda Marques Mendes de estar “do lado do Governo”, embora Marques Mendes opte por afirma que está apenas "do lado do diálogo social".

25 de novembro: sim ou não?

António Filipe manifesta-se contra o 25 de novembro que "é, claramente, contra o 25 de abril". O candidato afirma que o "objetivo claro" da sessão solene é "reescrever a história". Marques Mendes critica o adversário classificando a posição do mesmo como "incompreensível, inaceitável e lamentável" e acusando-o de ser "um candidato de fação".

Para o antigo comentador da SIC, o 25 de novembro "não é uma data qualquer", é uma data que "evitou que Portugal que saiu de uma ditadura, caísse numa ditadura de sinal contrário", colocando-as no mesmo nível de importância e considerando que as mesmas não se substituem. Marques Mendes acusa ainda António Filipe de ser contra esta data porque "foi o seu partido que foi derrotado no 25 de novembro de 1975" e apela à isenção do candidato.

A bandeira da "estabilidade" e as divergências sobre a TAP

Marques Mendes defende a "estabilidade" como a sua principal bandeira enquanto Presidente da República e o papel da Presidência enquanto "ponte". "Quando não há estabilidade, perdem os mais frágeis", sublinhou.

O adversário defende também a "estabilidade", mas não no que diz respeito às eleições. "Defendo a estabilidade da vida das pessoas", frisou António Filipe, acrescentando, após referir o caso da TAP, que é a favor da "economia nacional" em detrimento das privatizações.

Precisamente sobre a TAP, Marques Mendes argumenta que o "país precisa de saber" que "se não houver privatização da TAP, ainda que parcial, a TAP não vai crescer pelas regras de Bruxelas que não permitem o Estado meter um euro na TAP". O candidato apoiado pelos sociais-democratas garante que se não for investido dinheiro, a "TAP vai definhar e não vai ter capacidade de competir no mercado internacional, logo tem de haver acionistas privados porque o Estado não pode meter dinheiro".

António Filipe opõe-se a este argumento, sublinhando que "não se aprendeu nada". O comunista lembrou a privatização da TAP "feita à ultima hora" garantindo que "se o Estado não tivesse feito intervenção, hoje não havia TAP", esta que é uma "companhia de bandeira importantíssima para o país" e que atualmente "está a dar lucro".

A guerra na Ucrânia também divide os dois adversários

A guerra na Ucrânia é outro dos temas que separa os dois candidatos. Marques Mendes afirma não compreender a posição do adversário quando é claro que existe um "agressor e um agredido".

Por outro lado, António Filipe justifica afirmando que "esta guerra poderia ter sido evitada" e lembra que em 2022 condenou a invasão russa. No entanto, no entendimento do comunista, o conflito devia ter "cessado de imediato e não cessou porque Boris Johnson quis convencer a Ucrânia de que podia ganhar uma guerra contra uma grande potência nuclear, uma guerra que nunca poderia ganhar". António Filipe defende que é preciso mediar para que a guerra termine, posicionando-se contra a União Europeia.

Marques Mendes acusa, por sua vez, o candidato comunista de "não ter coragem para condenar o agressor" e de "na prática estar do lado de Putin".