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António Filipe, o comunista adepto do Belenenses que está na corrida a Belém

Enfrentou uma das fases mais duras da sua vida pessoal pouco antes de anunciar oficialmente a candidatura a Belém. Desde os 12 anos ligado ao PCP, António Filipe concorre agora à Presidência da República e conta, desde a primeira hora, com o apoio do partido. É dos candidatos mais discretos mas também um dos que tem mais experiência política. Conheça a carreira do adepto assumido d'Os Belenenses que está na corrida a Belém.

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António Filipe Gaião Rodrigues nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1963. Jurista e professor universitário perdeu a companheira de uma vida, e mãe dos dois filhos, dias antes de anunciar a entrada na corrida a Belém. Em entrevista ao programa “Júlia” assumiu que ponderou desistir.

Com apenas 12 anos, tornou-se membro da União de Estudantes Comunistas e na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde estudou entre 1980 e 1985, foi membro da Assembleia de Representantes e do Conselho Directivo da Faculdade, em representação dos estudantes.

“Uma paixão que ficou até hoje” - no programa "Júlia"

No plano associativo, foi membro da Plataforma Internacional de Juristas por Timor-Leste, é sócio da Associação Portuguesa de Ciência Política e da Associação Portuguesa de Juristas Democratas, e é sócio desde os 13 anos e membro do Conselho Geral do Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Foi agraciado com a Ordem do Mérito Civil de Espanha e com a Medalha da Defesa Nacional de 1.ª Classe em Portugal.

No verão desde ano aceitou o desafio e entrou na corrida à Presidência da República, contando, ao contrário dos demais, com o apoio do partido a que desde tenra idade está ligado, desde a primeira hora.

O camarada professor doutor e…

Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela Universidade Lusófona (1999) e Doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Leiden (2013), António Filipe foi durante cerca de 20 anos professor universitário.

Entre 2001 e 2012 foi professor auxiliar convidado da Universidade Lusófona, entre 2012 e 2024 lecionou na Universidade Europeia, e foi também membro do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro, assim como membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Santarém entre 2017 e 2021.

É, aliás, autor de obras científicas, como “As Oposições Parlamentares em Portugal – 1976-2000” e “O Referendo na Experiência Constitucional Portuguesa”.

E co-autor da Legislação Fundamental de Governo Local e Administração Autárquica, e da Enciclopédia da Constituição Portuguesa.

Além dos livros, António Filipe tem artigos publicados em revistas científicas em Portugal, Itália, Espanha e no Reino Unido, e foi comentador residente em programas de debate político na RTP e na TVI24 (atual CNN Portugal), e colunista no semanário Expresso.

… o camarada político

Membro da Juventude Comunista Portuguesa (JCP) desde a sua fundação, integrou a sua Direcção Nacional e os organismos executivos entre 1985 e 1995. É membro do PCP desde 1983 e membro do Comité Central do PCP desde 1992.

Nas eleições legislativas de 1987 foi candidato pela CDU, tendo assumido o mandato de deputado à Assembleia da República em fevereiro de 1989 e até 2022 e entre 2024 e 2025.

Foi vice-presidente da Assembleia da República em três Legislaturas (2005-2009, 2011-2015 e 2019-2022) e é membro da Direcção do Grupo Parlamentar do PCP desde 1990.

No plano autárquico, foi membro da Assembleia Municipal da Amadora entre 1993 e 2001 e da Assembleia Municipal de Sintra entre 2004 e 2019. Em 2001 foi candidato pela CDU à Presidência da Câmara Municipal da Amadora, tendo sido eleito vereador.

A “particular importância” destas eleições

Depois de mais de 30 anos na Assembleia da República, António Filipe decidiu entrar na corrida a Belém. O anúncio foi feito no final de junho pelo secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e oficializado menos de um mês depois, a 14 de julho na Voz do Operário, em Lisboa.

“Esta é a candidatura de um comunista com a confiança e o apoio dos seus camaradas, mas rejeita que a queiram limitar às fronteiras de uma afirmação partidária. Esta é a candidatura de todos os que não aceitam um caminho de degradação da democracia nem se resignam perante uma sociedade cada vez mais injusta"

Para António Filipe, as eleições presidenciais do próximo ano assumem uma "particular importância" numa altura em que a direita "controla todos os órgãos de soberania", dispõe de uma maioria parlamentar para rever a Constituição da República e tem "possibilidades sem precedentes para determinar a composição de outros órgãos do Estado".

Neste contexto, defende, será crucial o posicionamento do próximo Presidente "em face da Constituição e dos valores de Abril que ela consagra"e em face "da agenda do retrocesso social e democrático que está a ser promovida".

“Aqui estamos, aqui estou, para dizer que a defesa da democracia e da Constituição não admite desânimos nem desistências”

Dos sete candidatos oficiais a Belém, António Filipe está, como mostra o seu percurso, entre os que tem mais experiência política. Resta saber se esse será um factor que os portugueses vão ter em conta a 18 de janeiro.