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Sem pressa e após interregno de uma década, Seguro está de volta para concorrer a Belém

Depois de uma década afastado da vida política, o antigo secretário-geral do PS, António José Seguro, regressou ao ativo e apresenta-se como candidato às eleições presidenciais. Fê-lo sem esperar pelo apoio do PS e prometendo uma "nova cultura política". Recorde, sem pressa, o percurso do candidato António José Seguro.

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António José Martins Seguro nasceu a 11 de março de 1962 em Penamacor. Licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa, e mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, é casado e tem dois filhos.

Em criança gostava de brincar ao peão e com berlindes, e com um jogo de futebol, numa tábua de madeira com pregos, feita por um marceneiro de Penamacor.

Ainda hoje mantém ligações à terra natal que lhe atribuiu a Medalha de Ouro da Vila de Penamacor e o estatuto de Cidadão Honorário do Concelho de Penamacor. Depois de fazer parte do jornal da escola, fundou e foi diretor do jornal “A Verdade de Penamacor” e com o primo Jorge Seguro Sanches, criou a associação cívica, Geração 2000.

Foi ainda colunista do semanário Expresso, cujos artigos estão compilados num dos seus livros - “Compromissos para o Futuro" -, e é também autor do livro "Reforma do Parlamento Português - O controlo político do Governo".

A influência de Guterres


Líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, Seguro começou a aproximar-se da cúpula do poder socialista quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS.

"Com António Guterres, o PS será mais fixe", declarou a 10 de janeiro de 1992, vincando a sua preferência entre os dois candidatos.

E foi, precisamente, pela mão de Guterres, que se deu a ascensão do jovem ‘trintão’: desempenhou as funções de chefe de gabinete do secretário-geral, foi eleito diretamente deputado nas legislativas de 1991 e, a partir de 1994, fez parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional - o núcleo duro do "guterrismo".

Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assume as funções de secretário de Estado da Juventude, cargo do qual sairia para se candidatar, no segundo lugar da lista dos socialistas, às europeias de 1999, atrás do cabeça-de-lista, Mário Soares.


Haveria de regressar do Parlamento Europeu, dois anos depois, em 2001, para um cargo no Governo como ministro-adjunto do primeiro-ministro substituindo Armando Vara.

Os mais próximos são unânimes em considerar que a influência de dez anos de convivência permanente com Guterres marcaram a sua forma de estar na política e a explicar o facto de Seguro perder horas em conversas com militantes anónimos, falar nos afetos (contra a racionalidade estrita) nas relações políticas e apresentar uma visão telúrica da vida.

A sucessão a Sócrates e a pesada derrota frente a Costa

Em 2004, esteve em vias de disputar a liderança do partido com José Sócrates, mas, segundo relatos de socialistas de várias correntes, Jorge Coelho, o então homem forte do aparelho, pediu-lhe para esperar.

Durante a governação de Sócrates, Seguro esteve sempre na segunda linha, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente das comissões parlamentares de Educação e de Economia, além de ter coordenado a reforma do Parlamento em 2007.


Esperou pela saída de cena de Sócrates, grande parte do tempo em silêncio, evitando fazer críticas em público à direção em funções, embora fossem conhecidas as suas divergências.

Em 2011, avançaria mesmo para a campanha interna para a liderança do PS que o levou ao lugar de secretário-geral ao vencer a disputa com Francisco Assis. No cargo se manteve até setembro de 2014, na sequência da derrota das eleições primárias contra António Costa.

“Qual é a pressa?” é uma das frases que mais colada à pele lhe ficou, uma resposta aos jornalistas em janeiro de 2013 sobre quando é que a sua direção tencionava propor uma data para a realização do congresso do PS.

O interregno de uma década e…

Depois dos vários cargos políticos e partidários que ocupou, a derrota frente a Costa abalou Seguro e este decidiu afastar da vida política ativa e remeter-se apenas à condição de “militante de base”.

Durante a última década, esteve - e continua - dedicado às aulas na universidade, mantendo-se praticamente em silêncio sobre questões políticas. Ainda assim, abriu algumas exceções.

Uma delas foi em maio de 2023, quando a crise política estava instalada entre palácios - de Belém e de São Bento -, depois da polémica em torno de João Galamba. À data, aos jornalistas disse Seguro:

“Quando olho para o país fico perplexo com o que vejo. Acho que os portugueses merecem melhor”

Meses depois, voltaria a abrir outra exceção com Operação Influencer e a saída inesperada de António Costa, assumindo que estava a ser incentivado a candidatar-se novamente à liderança do PS.

Acabou por não o fazer mas o silêncio de quase dez anos haveria de ser quebrado. Em novembro de 2024, numa entrevista à TVI/CNN que antecedeu o seu espaço de comentário semanal naquela estação, assumiu que estava a ponderar uma candidatura a Presidente da República, mas afastando regressar à vida partidária.

Ao longo dos últimos meses, Seguro nunca quebrou o tabu, foi afirmando apenas que a ponderação continuava e recusou que lhe impusessem prazos, mas fazia já várias palestras e conferências um pouco por todo o país, tendo lançado em janeiro o "Movimento UPortugal" para "contribuir para a participação cívica dos portugueses".

… o fim da ponderação

E, chegados ao dia em que o novo Parlamento iniciou funções, Seguro desfez as dúvidas e anunciou que iria ser candidato à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, sem esperar pelo apoio do PS que haveria de chegar meses mais tarde.

Moderação, consenso e compromissos são palavras que usa frequentemente para qualificar a sua forma de estar na política e na vida e, quando confirmou que ia ser candidato, defendeu que Portugal precisa de “mudança e esperança numa vida melhor” e deixou um recado a um adversário em particular.

"Afastei-me quando podia dividir, volto agora para unir. Sei o que está em jogo e sei como defender Portugal com firmeza e respeito. Não preciso de aprender no cargo, chego preparado", assegurou no discurso de apresentação da candidatura à Presidência da República.