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Ecologista, republicano e "orgulhosamente de esquerda": Jorge Pinto, o mais jovem candidato a Presidente

Aos 38 anos, candidata-se à Presidência da República com apoio do Livre. De onde vem e para onde quer ir Jorge Pinto?

Ecologista, republicano e "orgulhosamente de esquerda": Jorge Pinto, o mais jovem candidato a Presidente
Horacio Villalobos/Getty Images

É o caçula desta corrida a Belém, mas garante que ser mais jovem do que os outros candidatos "é mais força do que fraqueza" porque combina "energia" e "experiência". Aos 38 anos, Jorge Pinto quer ser o "Presidente Presente" da República, apoiado pelo Livre.

Uma "voz nova" cuja musa tem 99 anos: diz que se candidata pela avó Micas, mulher "habituada a sofrer" que nasceu pouco depois do golpe militar que pôs fim à Primeira República, teve nove filhos e só conheceu a democracia a meio da vida. Uma vida muito diferente da que tem tido o candidato já nascido em Liberdade.

"O tempo carrega-nos. Mas chega sempre um momento em que somos nós a ter de carregá-lo (...) O homem constata ou diz que tem trinta anos. Afirma assim a sua juventude. Mas, nesse gesto, ele situa-se em relação ao tempo. Ocupa o seu lugar”, escreveu Albert Camus, autor que o candidato do Livre muito admira. Que lugar no nosso tempo ocupa Jorge Pinto?

Candidato da esquerda europeísta, progressista e humanista defende que o próximo chefe de Estado "tem ser contrapeso democrático", por um "Portugal da empatia, do amor e da esperança", defendeu, em novembro, em entrevista à SIC.

Além de Camusiano, o candidato do Livre define-se como "ecologista e republicano". E formou-se de acordo com os seus ideais, primeiro em Engenharia do Ambiente (FEUP, 2010), depois com o doutoramento em Filosofia Social e Política (Universidade do Minho, 2020), com uma tese sobre "republicanismo, ecologia e pós-produtivismo".

Um cidadão do mundo

Jorge Pinto nasceu em Amarante, no distrito do Porto, mas viveu fora de Portugal desde 2008, com passagens por Lituânia, Índia, França, Itália e Bruxelas, onde trabalhou nas instituições europeias e fez voluntariado numa associação de refugiados.

Desde 2024 representa o Livre como deputado na Assembleia da República (eleito pelo círculo do Porto), mas faz parte do partido desde a sua fundação, tendo feito parte do Grupo de Contacto de 2014 a 2020.

Antes disso, entre os 18 e os 25 anos, foi militante socialista durante a liderança de José Sócrates.

E ainda mais novo, saiu do país sozinho pela primeira vez aos 12 anos para ir a uma manifestação a favor da independência de Timor Leste.

foi federado em vários desportos - do kikboxing à pesca, passando pelo andebol (o seu favorito), mas nunca particulaemente bom em nenhum, conta num vídeo de campanha para as legislativas de 2024.

"Orgulhosamente de esquerda"

"Sou da esquerda moderada, da firmeza e não da tibieza", disse Jorge Pinto em novembro, em entrevista à SIC.

O Livre oficializou em novembro o apoio à candidatura presidencial, depois de uma consulta interna não vinculativa que não reuniu consenso. O dirigente obteve 67% dos votos de militantes, enquanto 17,6% preferiam António José Seguro.

Jorge Pinto demarcou-se de imediato do candidato apoiado pelo Partido Socialista, acusando-o de "faltar à verdade" e condenado aqueles que "têm vergonha" em assumir-se de esquerda como fez Seguro numa entrevista ao Público.

"Sou orgulhosamente de esquerda porque a esquerda não é, nem será, uma gaveta porque é uma janela que nos abre o mundo", disse o deputado do Livre no dia em que apresentou formalmente a sua candidatura a Belém.
Reprodução/Livre

Na mesma altura, deixou a sua "primeira promessa", com o Chega na mira:

"Se no Parlamento houver a tentação de haver uma revisão drástica da nossa Constituição, feita apenas pela direita e pela extrema-direita, uma revisão drástica que não passou pelas eleições, que não passou pela campanha eleitoral, que não foi discutida com os portugueses, fica aqui a minha promessa: eu voltarei a chamar os portugueses às urnas para que essa discussão tenha lugar e para que os portugueses digam se estão ou não estão confortáveis com uma revisão drástica da nossa Constituição", garantiu.

Defensor do Rendimento Básico Incondicional

Jorge Pinto é autor de vários livros, como "A Liberdade dos Futuros", onde desenvolve a tese de "como uma política assente na promoção da autonomia pode contribuir para uma sociedade mais justa num planeta sustentável" e várias bandas desenhadas. Foi ainda coautor da obra "Rendimento Básico Incondicional - Uma defesa da Liberdade", vencedora do prémio de Melhor Ensaio de 2019 atribuído pela Sociedade Portuguesa de Filosofia.

Para o candidato, a proposta de atribuir uma prestação a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional - uma das bandeiras do Livre - é um instrumento de emancipação e justiça social, mas também de resposta à transição ecológica.

As memórias da sua outra avó, Maria do Carmo, inspiraram o livro "Tamem Digo - Uma História de Migrações", sobre a diáspora portuguesa em França.

Confiante na vitória?

"Venho para ganhar", disse um pequeno Jorge Pinto no programa da SIC "Dá-lhe Gás", transmitido no final dos anos 90 e início de 2000.

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Para as Presidenciais, a confiança é a mesma? "Estou preparado para um mau resultado. No entanto, estou muito, muito preparado para ser a surpresa da noite", disse à SIC Notícias.