Presidenciais

Seguro ou Ventura: entre partidos e candidatos, quem apoia quem na segunda volta?

Com mais de 99% das urnas apuradas, já se sabe que António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais. Os candidatos derrotados e os líderes partidários começam a reagir e, em alguns casos, a revelar quem vão apoiar.

André Ventura e António José Seguro
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António José Seguro e André Ventura vão disputar, no dia 8 de fevereiro, a segunda volta das eleições presidenciais. O candidato apoiado pelo PS foi o vencedor deste domingo, com cerca de 31% dos votos, enquanto o líder do Chega angariou 23% da preferência dos portugueses.

Com mais de 99% das urnas apuradas, os outros candidatos e os líderes partidários começam a reagir e, em alguns casos, a revelar quem vão apoiar na segunda volta.

“O que está em causa é muito importante”

O secretário-geral do Partido Socialista diz que Seguro "ganhou pelo facto de ter colocado as prioridades certas", como "a saúde, a habitação e a economia". O socialista foi "o candidato das prioridades que servem as pessoas" e, em simultâneo, "defendeu de forma inequívoca a democracia", resume José Luís Carneiro.

O líder do PS lembra que "o que está em causa é muito importante" e apela ao voto de “todos os portugueses e todas as portuguesas”. Um pedido acompanhado por todos os partidos de esquerda.

Esquerda unida por Seguro

Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, reconhece que teve um resultado "muito abaixo" do que esperava, mas garante "continuar a lutar". A única mulher que concorreu às eleições pede que se vote em António José Seguro.

"Percebo que todos os democratas fiquem preocupados. Devo dizer-lhes que a resposta adequada é votar em António José Seguro na segunda volta."

O coordenador do BE, José Manuel Pureza, vai propor à Mesa Nacional do partido que apele ao voto no socialista.

António Filipe, que ficou em 7.º nas eleições deste domingo, também lamenta ter ficado "aquém do que o país precisa", mas altera o foco para fevereiro, considerando que é necessário derrotar os "propósitos reacionários" de André Ventura.

"O apelo ao voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura."

No mesmo tom, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, refere que a passagem de Ventura à segunda volta “conduz ao voto” em Seguro.

Com sentimento de "missão cumprida", Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre que reuniu a menor quantidade de votos entre a Esquerda, também anuncia o apoio ao socialista na segunda volta. "Irei lutar por ele na segunda volta", garante.

O Livre deve apoiar formalmente a candidatura de Seguro, conforme anunciou Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes.

Almirante adia decisão, direita não escolhe

Henrique Gouveia e Melo, que foi caindo na preferência dos portugueses até acabar em quarto na primeira volta deste domingo, não se compromete com a próxima ronda das presidenciais, pelo menos por enquanto. "É muito precoce para manifestar qualquer opinião a esse respeito (...) Vou reservar isso para outro momento", afirma o almirante.

André Ventura, que conseguiu reunir 23,29% dos votos, destaca que os resultados das eleições mostram que o Chega lidera a direita. O líder do Chega considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais "por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita".

Luís Marques Mendes, que assume a derrota após ficar apenas no quinto lugar, diz ter uma "opinião pessoal" sobre a segunda volta, mas recusa apelar ao voto noutros candidatos, uma vez que alega "não ser dono dos votos". "Cada um dos que votaram em mim decidirá em altura própria de acordo com a sua liberdade e com a sua consciência", defende.

O primeiro-ministro e líder do PSD escolhe seguir o mesmo caminho. "Não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo", diz Luís Montenegro, partir da sede do partido, recusando-se a apoiar qualquer candidato na segunda volta.

João Cotrim de Figueiredo, o terceiro candidato mais votado este domingo, com 16% dos votos, lamenta o "erro estratégico da liderança do PSD" que deverá resultar num Presidente "oriundo do PS". Diz que os portugueses terão em mãos uma "péssima escolha" na segunda volta.

Quanto ao que o próprio candidato derrotado fará, Cotrim é claro: “Não tenciono endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos na segunda volta.”

A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, não confirma se o partido vai apoiar alguém. "Tenho de seguir os procedimentos e ouvir a minha direção e os órgãos do partido", explica Mariana Leitão.

Outras figuras da direita declaram apoio a Seguro

O mandatário nacional de Cotrim tem uma posição diferente do candidato presidencial. José Miguel Júdice diz que votará Seguro. O líder parlamentar liberal, Mário Amorim Lopes, também.

E nos apoiantes de Marques Mendes também há quem não tenha dúvidas: Seguro é a opção de Miguel Poiares Maduro e do autarca do Porto, Pedro Duarte.