Football Leaks

Rui Pinto vai ser extraditado para Portugal

Pablo Gorondi

Português tem dez dias para ser extraditado para Portugal.

O Tribunal Superior húngaro recusou esta quinta-feira o recurso interposto por Rui Pinto, validando a decisão tomada em primeira instância.

A justiça da Hungria já tinha decidido a 5 de março extraditar o colaborador do Football Leaks para Portugal, onde será presente às autoridades no âmbito da investigação ao acesso aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento Doyen Sports.

Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.

À SIC, o hacker português admitiu ter medo de regressar ao país por causa do Benfica. Disse ainda que não confia na parcialidade da justiça portuguesa em relação ao futebol.

Nos próximos dez dias, Rui Pinto será transferido da cadeia húngara, onde tem estado a aguardar a decisão sobre o recurso, para Portugal. Recorde-se que o hacker português tinha dito que era "uma questão de vida ou de morte" ser extraditado, quando soube da decisão da justiça húngara há duas semanas.

Em entrevista ao Der Spiegel, em fevereiro, o hacker português já tinha confessado que se metesse os pés numa prisão portuguesa, não iria sair de lá vivo.

"Isto é uma questão de vida ou de morte"

Rui Pinto é um dos homens por detrás do Football Leaks que revelou milhares de documentos confidenciais relacionados com o mundo do futebol. Garante que não é um pirata informático, apenas um cidadão que agiu em nome do interesse público.

Quem o conhece diz que é um jovem com capacidades acima da média e fanático por futebol. Fala cinco línguas e estudou História.

Quem é Rui Pinto?

Foi o primeiro pirata informático a admitir ter colaborado com o Football Leaks, um site que propunha expor "a parte oculta do fubebol", os fundos de investimentos, as comissões dos negócios.

Tem também colaborado com a justiça francesa, à qual já entregou mais de 12 milhões de ficheiros, utilizados como prova em casos de fraude fiscal.