A Fórmula 1 continua este fim de semana o périplo pela América do Norte e viaja até à Cidade do México para a 20.ª ronda do Campeonato Mundial de 2025. Depois de um Grande Prémio dos EUA com corrida sprint, regressa o formato tradicional - com qualificação ao sábado e corrida ao domingo - no icónico Autódromo Hermanos Rodríguez.
Com uma extensão de 4,304 quilómetros, este é o terceiro circuito mais curto do calendário, ficando apenas atrás de Zandvoort e, claro, do Mónaco. O autódromo conta com 17 curvas e duas zonas de DRS, sendo o Grande Prémio composto por 71 voltas.
Este circuito é amplamente reconhecido como um dos mais exigentes e desafiadores para os monolugares, devido à sua localização a 2.240 metros de altitude.
Como explica o Autosport, a menor densidade do ar afeta significativamente o comportamento dos monolugares, reduzindo a carga aerodinâmica e prejudicando a capacidade de arrefecimento. Isso leva as equipas a adotarem configurações de alta pressão, semelhantes às utilizadas em outros circuitos mais exigentes.
Construído entre 1959 e 1960, o autódromo deve o seu nome à dupla mais icónica da história do desporto motorizado mexicano: os irmãos Ricardo e Pedro Rodríguez, que perderam a vida em acidentes de corrida: Ricardo em 1962, aos 20 anos, e Pedro em 1971, aos 31.
Recebeu a sua primeira corrida de Fórmula 1 em 1962, embora só no ano seguinte tenha passado a integrar oficialmente o calendário do Mundial. No total, o circuito acolheu 15 Grandes Prémios do México entre 1963 e 1992, com uma pausa entre 1971 e 1985, e voltou ao calendário em 2015. Prevê-se que permaneça no campeonato até 2028, após a renovação confirmada em abril deste ano.
Em que horários se realiza o GP da Cidade do México?
Sexta-feira, 24 de outubro
- Treinos Livres 1 (FP1): 19:30–20:30
- Treinos Livres 1 (FP2): 23:00–00:00
Sábado, 25 de outubro
- Treinos Livres 3 (FP3): 18:30–19:30
- Qualificação: 22:00–23:00
Domingo, 26 de outubro
- Corrida: 20:00
(Horário de Portugal Continental)
O estádio de basebol que vira uma pista de F1
Uma das características mais emblemáticas do Autódromo Hermanos Rodríguez é o facto de uma parte do seu traçado atravessar o interior de um antigo estádio de basebol, que foi casa dos Diablos Rojos del México, uma equipa mexicana, entre 2000 e 2014. Fora do período em que acolhe o Grande Prémio de Fórmula 1, o estádio é transformado numa sala de espetáculos para concertos.
O famoso Foro Sol, como é conhecida a zona da pista situada dentro do estádio, oferece uma vista privilegiada, a poucos metros da pista, permitindo aos fãs ficarem muito próximos dos pilotos e dos monolugares que passam a alta velocidade.
Além disso, é um dos melhores locais para assistir às celebrações do pódio após a corrida. Por estes motivos, é também, como seria de esperar, uma das secções mais cobiçadas durante a corrida aos bilhetes.
Sérgio 'Checo' Pérez, o herói nacional
A atmosfera sentida no GP do México transformou-se por completo após o seu regresso ao calendário, em 2015, numa altura em que Sergio Pérez era o único piloto mexicano na grelha da Fórmula 1.
No entanto, foi a partir de 2021, quando passou a competir pela Red Bull, que Checo se destacou como uma espécie de “herói nacional”, visto como o homem capaz de representar e levar o seu país à vitória.
Nesse mesmo ano, na sua estreia pela equipa austríaca, Sergio Pérez tornou-se o primeiro piloto mexicano a subir ao pódio no seu Grande Prémio caseiro. Embora tenha terminado em terceiro lugar, a conquista teve sabor a vitória.
Depois de ter somado duas vitórias e nove pódios em 2023, os resultados aquém das expectativas no ano seguinte ditaram a sua saída da Red Bull no final de 2024 e o consequente “até já” à Fórmula 1, sem data de regresso marcada, apesar de ter contrato por mais dois anos.
Até que, no passado mês de agosto, a Cadillac, a nova equipa que fará parte da grelha já a partir de 2026, anunciou que Sergio Pérez faria parte da dupla de pilotos da equipa, juntamente com Valtteri Bottas. Um regresso certamente muito aguardado pelos fãs mexicanos.
No clube dos imortais
A edição de 2018 do Grande Prémio do México não foi uma das corridas mais brilhantes da carreira de Lewis Hamilton, mas simbolizou o momento em que ficou, de forma definitiva, na história do desporto motorizado.
O piloto britânico terminou apenas em quarto, sem ritmo para lutar com Verstappen e os Ferrari, mas isso pouco importou. Quando cruzou a linha de meta, soube que já ninguém lhe tirava o quinto título mundial.
Um título que lhe permitiu igualar o lendário Juan Manuel Fangio e que mostrou que o piloto da Mercedes não era apenas um talento geracional, mas sim um ilustre membro do clube dos imortais.
Uma (H)onda mexicana
O México tem um significado especial para a Honda. Foi lá, em 1965, que a marca japonesa conquistou a primeira vitória na Fórmula 1, com o norte-americano Richie Ginther ao volante.
O pequeno Honda RA272 foi o primeiro a cruzar a linha de meta e deu ao Japão o primeiro triunfo na categoria-rainha do automobilismo.
A vitória no Autódromo Hermanos Rodríguez foi mais do que um troféu: assinalou o momento em que a Honda provou ao mundo que podia competir de igual para igual com os gigantes europeus. Richie Ginther, discreto e metódico, tornou-se o herói improvável (única vitória em 52 corridas na Fórmula 1) de uma conquista histórica.
Quem venceu no ano passado?
A edição de 2024 do Grande Prémio do México foi a última corrida a ter um piloto da Ferrari no lugar mais alto do pódio. De lá para cá, o jejum da Scuderia perdura há 23 Grandes Prémios consecutivos.
Na reta final da passagem pela equipa de Maranello, Carlos Sainz protagonizou uma vitória dominante, depois de sair da pole position. Lando Norris (McLaren) terminou na segunda posição e Charles Leclerc (Ferrari) no terceiro lugar.
Quem lidera os Campeonatos de Pilotos e Construtores?
Com 19 de 24 provas disputadas na temporada de 2025, Max Verstappen reforçou, em Austin, o estatuto de candidato ao título - a acontecer, o quinto consecutivo - depois de uma prestação hegemónica com triunfos na corrida sprint e no Grande Prémio.
O piloto neerlandês ganhou pontos à dupla da McLaren e soma agora 306, menos 26 do que Lando Norris e menos 40 face ao líder Oscar Piastri.
No Campeonato de Construtores, o título já foi atribuído há várias semanas, mas a luta pelo segundo lugar está ao rubro: Mercedes (341), Ferrari (334) e Red Bull (331) estão separadas por apenas 10 pontos a cinco rondas do fim.


