Francisco Pinto Balsemão, fundador da SIC e do Expresso, morreu esta terça-feira, aos 88 anos, de causas naturais. O filho e CEO do Grupo Impresa, Francisco Pedro Balsemão, recordou o "legado interno" do homem que "lutou sempre por aquilo que acreditava".
Em entrevista ao Primeiro Jornal, recorda que "uma das principais marcas de Francisco Pinto Balsemão sempre foi o seu enorme coração". Era uma pessoa "híper inteligente, muito completa a vários níveis, com o dom da oratória, que escutava lindamente, com sentido humor".
"Não tenho dúvidas de que as pessoas que mandaram mensagens, que ligaram, com quem me cruzei hoje (...) é por esse coração enorme que ele sempre mostrou. (...) Há muitos exemplos: aqui na SIC, o facto de todos os natais vir cá passar uma parte do seu Natal com as pessoas que estavam a trabalhar e de vir entregar bolo-rei. Com a família sempre foi muito generoso também."
"Ele viveu sempre de forma muito livre"
Além do homem público, Francisco Pinto Balsemão era também um homem de família que sempre tentou transmitir os valores da vida pública também em casa. “Ele fez um podcast chamado Deixar o Mundo Melhor e sempre, desde que eu me lembro, nos disse: nós nascemos, é algo efémero, é algo que, no nosso caso, por sermos uma família privilegiada, temos essa obrigação”, recorda o filho.
“Aquilo que ele passava para fora não era algo que pudesse ser visto como hipócrita, que não praticasse também dentro de casa. (...) Era um pai exigente, mas um pai que sempre quis que os filhos fossem - isto são palavras dele - unidos, fortes e divertidos, e portanto muito à imagem dele. (...) Nós somos cinco irmãos, de três mães diferentes, e somos muito unidos, somos muito fortes e somos muito divertidos.”
Mas também, acrescenta Francisco Pedro "porque ele deixa um legado que sinto que é para todo o país. (...) Essas ligações que ele criou em Portugal, a forma como ele deixou o país melhor, o mundo melhor, isso tudo faz parte de um todo e de ele ser uma pessoa muito completa”.
“Foi pioneiro sempre até ao fim. Estávamos a falar nos primórdios da inteligência artificial generativa e estava ele a fazer um podcast em que dava voz ao seu livro - em que ele deu três páginas e um robô leu as outras 997. Sempre foi uma pessoa um passo à frente do seu tempo, mas isso não quer dizer que não tivesse executado muito bem as ideias".
"Lutou até ao fim por aquilo em que acreditava"
Francisco Pedro recorda que o pai, apesar de ser uma das pessoas mais antigas da empresa, era “o mais curioso”, aquele que desafiava para que não se ficasse preso no dia a dia. Um homem que “até ao fim lutou por aquilo em que acreditava: a liberdade”.
“Se calhar nem toda a gente sabe, mas houve alturas em que ele esteve para desistir e não desistiu. Lutou até ao fim por aquilo em que acreditava, que era a liberdade. (...) Ele era uma pessoa muito livre”.
“Eu faço questão de manter todas as boas memórias, tudo aquilo que aprendi com ele. (...) Muita experiência, a questão de nunca deixarmos de ser curiosos, de nunca deixarmos de olhar para o futuro. E enquanto pai, a ideia de que não nos podemos levar tão a sério. É importante aquilo que fazemos (...) e temos de, obviamente, respeitar o legado dele.”

