Alguns dos trabalhadores da SIC recordam o "patrão", mas também professor de alguns destes profissionais.
Isabel Andrade e Natália Lecunde são a receção do grupo Impresa, trabalham frente a frente à emblemática frase assinada pelo fundador. Aqui dentro, é carinhosamente conhecido como o "patrão".
"É um dia assim triste, penso que para todos. Sempre foi como patrão espetacular", afirma Isabel descrevendo a relação próxima que Francisco Pinto Balsemão procurava manter com os seus trabalhadores.
"Ligava sempre no dia dos anos ou mandava-nos um postal. Estive cerca de um mês internado e o Dr. Balsemão ligou para os meus pais, o que quer que fosse preciso, que ele estava disponível. São pequenas coisas que contam muito", acrescenta.
Natália fala do "grande vazio" que Balsemão deixa. "É como se tivéssemos perdido um de chão, digamos assim", afirma.
Foram mais de 30 anos de uma convivência próxima e quase diária. Ao longo dos anos, foi chamando os trabalhadores para reuniões individuais ou de grupo, para fazer pontos de situação sobre o funcionamento interno da empresa.
"O Dr. Balsemão era o patrão, mas era uma pessoa mais velha, para nós quase um pai, no caso da minha idade, que no fundo se preocupava com os seus trabalhadores. Percebia-se isso sempre no trato: nós éramos pessoas importantes, sentíamos isso", destaca Paula Mesquita Lopes.
José Manuel Mestre lembra a "preocupação acima do vulgar com os trabalhadores".
"Nos primeiros anos da SIC havia um grupo de trabalhadores, depois de esgotado o orçamento, que podia demonstrar que aqueles resultados também tinham que se aplicar aos trabalhadores. E, depois de fazer contas, tinha sempre um aumento... significativo, reconhecendo o contributo que tinham dado para a SIC", recorda o jornalista José Manuel Mestre.
Além de patrão, há quem o tenha tido também como professor na faculdade. Fernanda de Oliveira Ribeiro foi um desses casos e recorda-o como um "patrão próximo", mas também como "patrão que deu a liberdade toda" para os jornalistas trabalharem.
"Ele é o patrão da minha vida, efetivamente, porque eu estou na SIC há 33 anos e ele foi o meu professor na faculdade. Portanto, eu entrei na faculdade em 84, já lá vão muitos anos", recorda a jornalista.
Pedro Coelho, também antigo aluno de Balsemão, lembra como no final do curso, foi convidado "para trabalhar para uma revista que então estava a ser fundada, a Exame" e como lhe disse que "não queria" porque "só queria era fazer rádio". Acabaram por se encontrar mais tarde na SIC e o jornalista destaca um episódio em particular em que Balsemão não o limitou na sua liberdade de imprensa.
"Meti-me inclusivamente com um grande amigo dele, o Rei Juan Carlos, e essa foi a única história que ele me pediu para ver antes de ser emitida. Quando acabou de ver a história, recordo-me perfeitamente, disse-me assim: 'Pedro, não sabe os problemas que me vai arranjar em Espanha'", afirma.
Mas a história acabaria por ser emitida "sem nenhuma alteração, apesar deste documentário do Dr. Francisco Pinto Balsamão", portanto, acrescenta Pedro Coelho, era um "bom patrão, um patrão sério, um jornalista".
A jornalista Ana Paula Félix recorda outro momento importante que reforça este sentimento de proximidade entre trabalhadores e Balsemão: "Quem trabalhava no Natal sabia que ele aparecia no dia 25 com o bolo-rei para estar um bocadinho connosco. Mas lembro-me sempre do sorriso dele, da amabilidade dele."

