Queda do BES

Carlos Silva testemunha em tribunal que Ricardo Salgado “era um homem disponível e sério”

Líder da UGT foi chamado enquanto funcionário do antigo BES.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou esta terça-feira em tribunal que era Ricardo Salgado quem desbloqueava as negociações com os trabalhadores no Grupo Espírito Santo. O líder da UGT foi chamado a testemunhar enquanto funcionário do antigo BES e elogiou o ex-banqueiro.

"Era um homem disponível e sério. Cumpriu sempre com os compromissos com os trabalhadores. Havia um respeito pelo patrão. (…) Elogiei e continuarei a elogiar enquanto for vivo. Os trabalhadores sentiam-se bem, eram compensados e olhavam para ele com respeito e admiração. Se isto é elogio, pois que seja."

Porque foi Carlos Silva chamado a tribunal?

Chamado pela defesa do antigo presidente do BES para garantir em tribunal que no GES reinava a independência entre departamentos, Carlos Silva disse que Ricardo Salgado não decidia sozinho, mas acabou por admitir que, por vezes, só com a intervenção do antigo banqueiro é que os impasses eram resolvidos.

“Quando as coisas emperram, pedimos ajuda aos presidentes do banco. Têm um peso institucional diferente.”

Ricardo Salgado ainda não apareceu em tribunal

À sexta sessão de julgamento, Ricardo Salgado ainda não apareceu em tribunal para esclarecer se desviou, ou não, 11 milhões de euros do Grupo Espírito Santo. O antigo banqueiro tem ainda uma última oportunidade para falar, a 22 de outubro, antes das alegações finais.

Os juízes querem concluir o julgamento mesmo que Salgado não apareça, depois de terem recusado a perícia médica pedida pela defesa para atestar alegados indícios de Alzheimer.

Num requerimento a que a SIC teve acesso, os advogados dizem que a decisão é nula ou irregular. Alegam que é determinante para apurar se o antigo banqueiro pode ou não defender-se de viva voz dos três crimes de abuso de confiança de que é acusado.

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