Há um ano, Luís Montenegro enfrentava várias pastas quentes. Ministérios como o da Administração Interna e da Educação concentraram atenções, com o Governo a tentar resolver problemas antigos. Mas há outros, como a Saúde, em que as promessas ficaram por cumprir.
Desde a conquista da democracia, o orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) quase duplicou nos últimos 10 anos. Em 2015, rondava os nove mil milhões de euros. Este ano, aproxima-se dos 17 mil milhões.
Ainda assim, os problemas persistem e agravam-se. A dificuldade em reter profissionais tem impacto direto: mais de 1,5 milhões de utentes continuam sem médico de família.
Imigração sempre "em cima da mesa"
Desde 1991, que sucessivos governos prometem um médico para todos. Até agora, sem sucesso. Outro problema que se arrasta é a falta de mão de obra.
Muitos empresários queixam-se da escassez de trabalhadores. O forte aumento da imigração, a par da extinção do SEF e da criação da AIMA, resultou num verdadeiro cocktail.
Os serviços públicos não conseguem dar resposta. Há imigrantes a pernoitar ao relento, em filas, apenas para obter uma senha — sobretudo para renovar autorizações de residência.
Crise de habitação agudiza-se
Muitos vivem em condições precárias, num parque habitacional cada vez mais inacessível até para os próprios portugueses. O Governo reprogramou o PRR para avançar com projetos de construção habitacional, incluindo no sector público. Mas os 59 mil fogos prometidos até 2030 continuam a parecer uma miragem para muitos.
TAP sem luz ao fundo do túnel
Mais próxima do horizonte pode estar a privatização da TAP. A tutela acredita que o mercado da aviação vive um bom momento e quer avançar com rapidez.
Mas essa mesma velocidade pode significar que o Estado recupere menos do que o desejado — depois dos 3.200 milhões de euros injetados na companhia durante a pandemia.
E a Defesa, como está?
Com necessidades de investimento urgentes está também o sector da defesa. O episódio do navio Mondego, em que marinheiros recusaram ordens invocando falta de segurança, expôs fragilidades de longa data. A falta de meios é um reflexo claro do desinvestimento.
Agora, com luz verde de Bruxelas para aumentar a despesa com a defesa, o Governo encara um novo desafio. A NATO já aponta para um esforço de 5% do PIB. Portugal, por enquanto, só se comprometeu a atingir 2% até 2028.
Tudo isto num país onde a pobreza está a crescer — com cerca de 2 milhões de pessoas em risco — e sem reformas estruturais à vista. O Governo terá de encontrar um difícil equilíbrio entre receitas e despesa. Para manter as contas públicas controladas e evitar que tudo descambe.