Guerra no Médio Oriente

Ficar em águas internacionais? Mortágua dá nega a Governo português e garante que missão da flotilha vai continuar

Em entrevista à SIC Notícias, a bloquista diz que recebeu um email do ministro dos Negócios Estrangeiros, no qual este refere ter um acordo com o Governo italiano para uma suposta proteção dos cidadãos portugueses - proteção que, no entanto, dependeria de estes abandonarem a missão.

Ficar em águas internacionais? Mortágua dá nega a Governo português e garante que missão da flotilha vai continuar
Stefanos Rapanis

Mariana Mortágua rejeita o apelo do Governo para que a flotilha humanitária para Gaza fique em águas internacionais. À SIC Notícias, a coordenadora do Bloco de Esquerda condena o Executivo por forçar o fim da missão e por só reconhecer o Estado da Palestina no papel.

"Primeiro, a reação do Governo português foi que não tinha nenhuma obrigação com a flotilha. Mas neste momento, o Governo português percebeu que tinha, sim, responsabilidades com a flotilha, nem que fosse por se tratar de uma missão humanitária e por haver cidadãos portugueses a bordo", começa por dizer Mariana Mortágua.

Em entrevista à SIC Notícias, a bloquista diz que recebeu um email do ministro dos Negócios Estrangeiros, no qual este refere ter um acordo com o Governo italiano para uma suposta proteção dos cidadãos portugueses - proteção que, no entanto, dependeria de estes abandonarem a missão.

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Sofia Aparício pede ajuda ao Governo português

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Nas redes sociais, Sofia Aparício, atriz que também segue no barco, pede ao Governo português para ajudá-los a chegar em segurança a Portugal:

"Estamos a ser levados contra a nossa vontade. Vamos ser raptados. Parece que os israelitas continuam a cometer todos os crimes impunemente. Façam, por favor, pressão ao Governo para que eu, a Mariana [Mortágua] e o Miguel [Duarte] cheguemos a Portugal em segurança. Recordo que somos uma flotilha de civis desarmados, não violenta, que transporta ajuda humanitária."

Flotilha acusa Israel de intimidação e afirma que vai continuar

A organização da flotilha de barcos que se dirige a Gaza com ajuda humanitária acusou, esta quarta-feira, "navios militares israelitas" de alegadas "táticas de intimidação", anunciando que irá continuar a sua viagem.

Segundo os organizadores, a flotilha encontrava-se às 05:30 TMG (06:30 em Lisboa) no Mediterrâneo, a norte da costa egípcia e a aproximar-se da marca das 120 milhas náuticas do território palestiniano, ou aproximadamente 220 quilómetros.

"Nas primeiras horas desta manhã, as forças navais de ocupação israelitas lançaram uma operação de intimidação" contra a flotilha 'Global Sumud' ("sumud" significa "resiliência" em árabe), acusaram em comunicado. Um dos principais navios da flotilha, o 'Alma', foi "agressivamente cercado por um navio de guerra israelita durante vários minutos", descreveu a organização no comunicado.

Durante o incidente, as comunicações foram "remotamente desativadas" e o capitão "teve de fazer uma manobra repentina para evitar uma colisão frontal" com uma embarcação.

"Pouco depois, a mesma embarcação atacou o 'Sirius', repetindo as mesmas manobras de intimidação durante um longo período antes de partir", explicaram os organizadores da 'Global Sumud'.

- Com Lusa