A Flotilha Global Sumud emitiu um alerta esta madrugada a informar que navios não identificados tinham-se aproximados de vários dos barcos que compõem o grupo, em águas internacionais onde Israel intercetou outras embarcações. Rui Cardoso acredita que a missão será inevitavelmente interceptada por Israel.
Apesar de considerar legítima a missão da flotilha, Rui Cardoso não tem dúvidas sobre o desfecho.
“É evidente que vai ser interceptada. E de que forma é que vai ser interceptada? Esse é que é o problema”.
O jornalista recorda o precedente de 2013, quando comandos israelitas atacaram uma missão turca: "Houve luta, luta corpo a corpo, à facada, à paulada, e houve nove mortes. (…) Netanyahu teve de pedir desculpa a Erdogan pela morte de nove cidadãos turcos que estavam a bordo".
"Israel habituou-nos a intervenções sem qualquer tipo de consideração pela vida humana, fazendo apesar de tudo uma distinção. Quando morreram aqueles britânicos e australianos do World Kitchen que levaram com um drone em cima, abriram um inquérito, lamentaram, foi um erro trágico e tal. Quando são palestinianos não há inquérito nenhum, ninguém é chamado à pedra".
Plano de paz para Gaza desigual
Rui Cardoso vê fragilidades plano de paz em negociação, embora reconheça "que é melhor isto ir para a frente do que a situação que está em que as pessoas estão a ser massacradas em Gaza".
"Aquilo neste momento é uma nebulosa, o Hamas passou a ser um grupo disperso de guerrilha. Há algum interesse em dizer que sim a este plano? Aliás, este plano é o mais desigual que alguma vez foi apresentado".
O jornalista sublinha que “toda a pressão está sobre o Hamas”, enquanto “para o lado de Israel não há nenhum calendário e também não há sanções caso Netanyahu não cumpra aquilo que se comprometeu".
Estados Unidos em novo shutdown
Sete anos depois, os Estados Unidos enfrentam novamente a paralisação parcial do Estado federal. A diferença em relação a 2018, quando o shutdown durou 35 dias, é sobretudo a forma como Trump está a instrumentalizar aquilo que deveria ser uma discussão orçamental.
"Ele está a tentar hiper-radicalizar isto. (…) Primeiro chamou os líderes republicanos e democratas do Congresso para falar com ele na Casa Branca e a seguir fez um daqueles vídeos tolos gerados por inteligência artificial a gozar com os democratas".
