Guerra no Médio Oriente

Israel dá por terminada operação para travar flotilha por Gaza

A missão classificou a operação de Israel como "novos atos de agressão contra civis desarmados" e afirmou que os voluntários foram "atacados com canhões de água" e "borrifados com água contaminada".

Israel dá por terminada operação para travar flotilha por Gaza
Stefanos Rapanis

Israel declarou, esta quinta-feira, como concluída a operação de intercetação da Flotilha Global Sumud rumo a Gaza, cujos elementos deteve, incluindo quatro portugueses.

"Nenhum dos barcos de provocação do Hamas-Sumud conseguiu entrar numa zona de combate ativa nem violar o bloqueio naval legal", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O Governo israelita acusa os participantes da flotilha de serem coniventes com o grupo extremista palestiniano Hamas, que considera como uma organização terrorista, daí a associação dos dois nomes.

"Um último barco desta provocação permanece à distância. Se se aproximar, também lhe será impedida a tentativa de entrar numa zona de combate ativa e de violar o bloqueio", acrescentou o ministério.

A operação começou na quarta-feira e envolveu a interceção de cerca de 50 embarcações.

Entre os membros detidos da flotilha estão três portugueses, a líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte.

Um quarto português, cujo nome ainda não foi divulgado, seguia também na flotilha, segundo anunciou, esta quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

Também foram detidos 30 espanhóis, 22 italianos, 21 turcos, 12 malaios, 11 tunisinos, 11 brasileiros e 10 franceses, bem como cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, México e Colômbia, entre muitos outros.

De acordo com a lei israelita, uma vez detidos, os membros da flotilha podem ser deportados 72 horas após a emissão da ordem.

Podem também aceitar a expulsão voluntariamente, como aconteceu com quatro dos 12 ativistas a bordo de uma embarcação intercetada por Israel em junho.

Os organizadores da flotilha por Gaza denunciaram a falta de informação sobre o paradeiro de 443 participantes da missão humanitária.

A missão classificou a operação de Israel como "novos atos de agressão contra civis desarmados" e afirmou que os voluntários foram "atacados com canhões de água" e "borrifados com água contaminada".

Denunciou também interferências sistemáticas nas comunicações desde a noite de quarta-feira.

A flotilha pretendia entregar ajuda à população da Faixa de Gaza, romper o cerco de Israel ao território palestiniano e abrir um corredor humanitário permanente.