Guerra no Médio Oriente

Ex-representante de Portugal na Palestina condena "politização" do conflito e apela a consensos

Em análise às detenções dos ativistas das embarcações da flotilha Global Sumud, Jorge Torres Pereira afirma que politização da "causa palestiniana" não é positiva e deveria ser mais consensual entre setor políticos.

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Israel intercetou nas últimas horas pelo menos 39 embarcações da flotilha humanitária Global Sumud, tendo detido dezenas de ativistas, entre os quais os portugueses Mariana Mortágua, Sofia Aparício e Miguel Duarte.

Numa análise esta manhã na antena da SIC Notícias, o antigo embaixador de Portugal e ex-Representante de Portugal junto da Autoridade Palestiniana (Ramallah), Jorge Torres Pereira afirma que esta é já uma "coreografia bem conhecida" e lamenta que a "causa palestiniana" aparente ser "sobretudo defendida por um setor político".

"Os barcos da flotilha cada vez tentam ir um pouco mais perto da costa e depois há esta sucessão de intersecção, levada dos participantes e daí processamento do seu reenvio para os seus países de origem", afirma, acrescentando que o "único comentário mais político sobre todo este sobre todo este caso é que acaba por dar a sensação de que a causa palestiniana é sobretudo defendida por um setor político".

Torres Pereira afirma que, assim como a questão da libertação de Timor, esta deveria ser "abarcada por todos os setores" da vida política portuguesa.

"As aspirações legítimas dos palestinianos à sua autodeterminação em um Estado deveriam ser mais consensuais", afirma.

Já Marcos Farias Ferreira, professor de relações internacionais, considera que "o que está em causa é a atitude de Israel face aos Estados de que estamos a falar".

O governo português, o primeiro-ministro, reconhece que não tem informação sobre a situação real dos detidos. Ontem [quarta-feira] António Costa, numa conferência de imprensa no Conselho Informal da União Europeia, dizia também que não sabia, não podia dizer nada de concreto. Isto diz muito da forma como o governo de Israel trata os governos europeus, trata as instituições portuguesas. Aquilo que assistimos esta madrugada... trata-se de verdadeira pirataria. O governo de Israel não tem o mínimo direito a estabelecer zonas de exclusão", afirma.

O docente afirma ainda que e "Israel não tem o mínimo direito" ou soberania sobre a zona onde deteve os ativistas, independentemente destes últimos saberem o que os esperava.

O ministro Rangel ignora que há 10 dias reconheceu o Estado da Palestina. E se reconheceu o Estado da Palestina, reconheceu-o com todos os elementos objetivos. O governo português devia estar a propiciar o estabelecimento de sanções efetivas contra o governo de Israel", sublinha.

Para o Farias Ferreira, Portugal anda a reboque de outros países e no que respeita a sanções a Israel não será exceção.