Guerra no Médio Oriente

ENTREVISTA SIC NOTÍCIAS

Flotilha humanitária: CDS fala em "oportunismo", BE diz que "quem não faz nada, ataca quem faz"

Israel deteve quatro cidadãos portugueses, incluindo Mariana Mortágua, numa flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza. João Almeida do CDS considera a operação uma ação de propaganda, levantando um debate sobre as intenções que estiveram na origem da participação na flotilha. Joana Mortágua acusa-o de não reconhecer o genocídio na Faixa de Gaza e de atacar os militantes do BE.

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Israel iniciou esta quarta-feira a abordagem à flotilha humanitária que se dirigia para a Faixa de Gaza, tendo detido Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves.

Os vários partidos políticos já se pronunciaram sobre as detenções dos quatro portugueses. Do lado do Chega, André Ventura classificou o episódio como um "número de circo" da extrema-esquerda e acusou Mariana Mortágua de irresponsabilidade. Também Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal (IL), manifestou dúvidas quanto às verdadeiras intenções de Mariana Mortágua ao participar nesta flotilha.

Em entrevista à SIC Notícias, João Almeida, do CDS, considerou toda a ação um exemplo de "oportunismo" e afirmou que o único objetivo da operação da flotilha humanitária era a "propaganda".

"Havia mecanismos para fazer chegar esta ajuda humanitária que não este circo. O Bloco de Esquerda (BE) tem aqui um interesse duplo: por um lado, ser conivente com aquilo que, no terreno, é uma condução que, do nosso ponto de vista, é totalmente conivente com os atentados terroristas de 7 de outubro; por outro lado, e em termos nacionais, fazer uma atividade política que não existe de outra maneira", critica João Almeida.

Para Joana Mortágua, "quem não faz nada, ataca quem faz". Acusa João Almeida de não reconhecer o genocídio em curso na Faixa de Gaza, de atacar os militantes do Bloco de Esquerda (BE) e de ignorar o número crescente de vítimas mortais todos os dias.

"O grande embaraço desta história é que, apesar de Paulo Rangel e Luís Montenegro reconhecerem que houve uma detenção ilegal em águas internacionais de uma missão humanitária, e de o Primeiro-Ministro considerar que essa missão cumpriu o seu objetivo político, o verdadeiro constrangimento, perante o país e o Governo, é Luís Montenegro perceber que tem a embaixada de Israel sentada no seu Conselho de Ministros. A posição do CDS é, em si mesma, um embaraço para o próprio Governo e para o país", defende.

A bloquista afirma que Mariana Mortágua será deportada de Israel após ter sido sequestrada pelo país contra a sua vontade, enquanto João Almeida rejeita essa ideia e reforça que se tratou de uma detenção, na sequência da prática de ilegalidades.