Israel deteve quatro cidadãos portugueses, incluindo Mariana Mortágua, a bordo de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. A embarcação integrava uma missão internacional que procurava entregar ajuda humanitária e contestar o bloqueio israelita sobre o território palestiniano.
Em entrevista na Edição da Noite da SIC Notícias, Catarina Martins, ex-coordenadora do BE, defendeu a ação, sublinhando a gravidade da situação humanitária em Gaza.
"Esta flotilha tinha dois objetivos: levar ajuda humanitária que estava nos barcos e um objetivo mais vasto, que era quebrar o cerco e fazer chegar a ajuda humanitária", afirmou Catarina Martins.
"Não sei se as pessoas têm noção, mas há neste momento toneladas de ajuda humanitária a apodrecer às portas de Gaza porque Israel não deixa entrar", acrescentou.
Segundo Catarina Martins, o objetivo principal da missão não era apenas simbólico ou político, mas essencialmente prático e urgente: "O objetivo não era a mensagem, era chegar lá, salvar a vida daquelas pessoas."
"O transporte de ajuda humanitária demoraria 60 horas a chegar via terrestre"
Em contraste, o comentador Pedro Gomes Sanches considerando-a ineficaz do ponto de vista logístico e com intenções sobretudo mediáticas.
"O que esta flotilha procura é atenção mediática e não ajuda humanitária", declarou.
Criticando a estratégia adotada pelos participantes, o comentador defendeu a utilização de canais oficiais, como os coordenados pela ONU e pelo Egipto, para a entrega de ajuda.
"O transporte de ajuda humanitária demoraria 60 horas a chegar via terrestre de Lisboa até Gaza. Desta feita, demorou um mês e alguns dias — 770 horas. Portanto, se aquilo que mobiliza aquelas pessoas é ajudar aquela gente em sofrimento, não é pela via que escolheram, mas por outra mais expedita e, de resto, mais convencional e controlada pela ONU e pelo Egipto", disse.
Assumindo-se igualmente defensor da causa palestiniana, Pedro Gomes Sanches deixou críticas ao Hamas:
"Também sou daqueles que querem uma Palestina livre e defendo a solução dos dois Estados, mas quero uma Palestina livre dos seus verdugos. Desde 2007 que o Hamas mata palestinianos (...). Os verdadeiros verdugos são o Hamas", afirmou.
Rejeitando a acusação de que os participantes da flotilha procuravam notoriedade pessoal, Catarina Martins considerou a crítica injusta:
"Pessoas que arriscam assim a sua vida não o fazem para procurar atenção. Acho até aberrante que se diga isso", disse.
"Não procuram atenção para si, procuram atenção para o tema, e eu acho bem (...) Israel está a cometer um genocídio. Eu não aceito que se queira silenciar a violência do Estado de Israel", acrescentou.

