Guerra no Médio Oriente

"Histórico": líderes mundiais aplaudem acordo de paz entre Israel e Hamas

Trump anunciou na quarta-feira que Israel e o movimento islamita aceitaram a "primeira fase" do seu plano de paz. A notícia foi recebida com entusiasmo por líderes de vários países. Dirigentes europeus, como Von der Leyen e António Costa, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, também reagiram.

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Vários líderes mundiais saudaram o acordo de paz entre Israel e o Hamas anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, elogiando o fim iminente da guerra em Gaza e a libertação de reféns após dois anos de conflito.

Trump anunciou na quarta-feira que Israel e o movimento islamita aceitaram a "primeira fase" do seu plano de paz, que prevê a retirada parcial das tropas israelitas da Faixa de Gaza e a libertação de 20 reféns ainda vivos em troca de prisioneiros palestinianos.

"Todos os reféns serão libertados muito em breve e Israel retirará as suas tropas para uma linha acordada como primeiros passos para uma paz forte, duradoura e eterna", escreveu Trump na rede Truth Social.

UE estará “pronta para ajudar na reconstrução”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o anúncio de cessar-fogo em Gaza, pedindo a Israel e ao grupo islamita Hamas que "respeitem integralmente" o acordado.

"Congratulo-me com o anúncio de um acordo para garantir um cessar-fogo e a libertação dos reféns em Gaza, com base na proposta apresentada pelo Presidente dos Estados Unidos. Louvo os esforços diplomáticos dos Estados Unidos, do Qatar, do Egito e da Turquia para alcançar este avanço. Sinto-me também encorajado pelo apoio do Governo de Israel e da Autoridade Palestiniana", reagiu a líder do executivo comunitário.

Ursula von der Leyen exortou: "Agora, todas as partes devem respeitar integralmente os termos do acordo: todos os reféns devem ser libertados em segurança e deve ser estabelecido um cessar-fogo permanente o sofrimento acabar".

Na sua reação, a líder do executivo comunitário assegurou ainda que a União Europeia (UE) continuará a apoiar a entrega rápida e segura de ajuda humanitária em Gaza".

"E, quando chegar a altura, estaremos prontos para ajudar na recuperação e reconstrução", adiantou Ursula von der Leyen, destacando a "oportunidade de traçar um caminho político credível para uma paz e segurança duradouras, um caminho firmemente ancorado na solução de dois Estados".

Também a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, reagiu no X dizendo que "o acordo sobre a primeira fase do acordo de paz em Gaza representa um avanço significativo".

Costa fala em “oportunidade crucial”

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, congratulou-se com o anúncio de cessar-fogo, falando numa "oportunidade crucial" para a paz na região.

"Congratulo-me com o acordo alcançado sobre a fase inicial da proposta de paz apresentada pelo Presidente dos Estados Unidos. A sua implementação abre caminho para a tão esperada libertação de todos os reféns israelitas, um cessar-fogo em Gaza e o fim da grave crise humanitária no terreno", reagiu o antigo primeiro-ministro português numa publicação na rede social X.

Para António Costa, "esta é uma oportunidade crucial que deve ser aproveitada para lançar as bases de uma paz duradoura, assente numa solução de dois Estados". "Elogio os esforços diplomáticos dos Estados Unidos, do Egito, do Catar e da Turquia, que tornaram possível este avanço", adiantou.

Guterres fala em “avanço desesperadamente necessário”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, descreveu o acordo como "um avanço desesperadamente necessário" e apelou para a sua plena implementação, sublinhando que "é uma oportunidade para reconhecer o direito à autodeterminação do povo palestiniano e avançar para uma solução de dois Estados".

O Hamas confirmou o entendimento, garantindo que "assegura o fim da guerra, a retirada do exército israelita e a entrada de ajuda humanitária", e apelou para que Israel cumpra os compromissos "sem atrasos ou alterações".

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, classificou o acordo como uma "realização histórica" e agradeceu a Trump pela "liderança determinada e pelos esforços globais", afirmando: "Com a ajuda de Deus, traremos todos para casa".

“Momento de profundo alívio"

A notícia foi recebida com entusiasmo por líderes de vários países. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que o acordo representa "um profundo momento de alívio" que se vai fazer sentir em todo o mundo.

Em comunicado, o chefe do executivo de Londres elogiou os "incansáveis esforços diplomáticos" do Egito, Qatar, Turquia e Estados Unidos para alcançar um "primeiro passo" que considerou crucial. Starmer pediu ainda que o acordo seja implementado integralmente e acompanhado pelo levantamento imediato de todas as restrições à ajuda humanitária para Gaza.

Em Roma, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, disse que o acordo entre Israel e Hamas é uma "grande notícia" tendo afirmado que o Exército italiano está disponível para atuar como uma eventual força de manutenção da paz.

O chefe da diplomacia italiana e vice-primeiro-ministro do Governo de Roma disse que "a Itália está pronta para consolidar o cessar-fogo", garantir a chegada de ajuda humanitária e participar na reconstrução de Gaza.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse estar "muito satisfeito" com o acordo de cessar-fogo para Gaza e agradeceu ao Presidente norte-americano, Donald Trump, ao Qatar e ao Egito.

Erdogan, numa mensagem difundida pelas redes sociais, disse que a Turquia também contribuiu no processo.

Paris, Madrid e Berlim expressaram confiança no acordo

Os Governos de Berlim e Espanha demonstraram satisfação pelo acordo entre o Hamas e Israel e o chefe de Estado francês considerou que o tratado pode ajudar a implementar a solução "dois Estados".

O Presidente francês, Emmanuel Macron, saudou a "imensa esperança" suscitada pelo acordo entre Israel e o Hamas e manifestou a esperança de que o tratado permita a abertura de uma solução política baseada na solução de dois Estados.

"A França está pronta para contribuir para este objetivo. Discutiremos isto hoje à tarde em Paris com os nossos parceiros internacionais", disse o chefe de Estado francês através de uma mensagem difundida através das redes sociais.

Emmanuel Macron apelou ainda a Israel e ao Hamas para respeitarem "rigorosamente" os termos do acordo.

O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, disse que "acolheu" o acordo de cessar-fogo em Gaza entre Israel e o Hamas, acrescentando que espera que o tratado "marque o início de uma paz justa e duradoura".

"Agora é o momento do diálogo, de ajudar a população civil e de olhar para o futuro. Com esperança. Mas também com justiça e memória. Para que as atrocidades que vivemos nunca mais aconteçam", disse Sánchez através das redes sociais.

Em Berlim, o chanceler alemão demonstrou satisfação em relação ao anúncio do acordo entre Israel e o Hamas sobre um cessar-fogo e manifestou confiança na implementação dos pontos do tratado.

"Os acontecimentos em Israel são encorajadores (...) Estamos, naturalmente, a acompanhar a situação", disse Friedrich Merz numa conferência de imprensa hoje em Berlim.

Jordânia, Arábia Saudita e Egito saúdam acordo

Riade saudou o anúncio do acordo entre Israel e o Hamas sobre um cessar-fogo em Gaza, expressando esperança de que o tratado conduza a uma paz justa e duradoura.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, em comunicado, sublinhou a importância deste passo, esperando que marque o início de uma ação séria e urgente para aliviar o sofrimento do povo palestiniano.

No Cairo, o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, considerou o acordo como "momento crucial". Em comunicado, o Governo do Cairo acrescentou que o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio vai deslocar-se hoje a Paris para uma reunião internacional sobre o território palestiniano devastado por mais de dois anos de guerra.

A Jordânia também saudou hoje o acordo de paz anunciado entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza e agradeceu ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelos esforços diplomáticos; pelas propostas para "reconstruir Gaza" e por impedir a anexação israelita da Cisjordânia.

“A paz finalmente parece possível”

O Presidente da Argentina, Javier Milei, considerou o entendimento "histórico" e anunciou que vai propor Trump para o Prémio Nobel da Paz, afirmando que "qualquer outro dirigente com semelhantes conquistas já o teria recebido há muito tempo".

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, felicitou Trump pelo "liderança essencial" e expressou alívio pela iminente libertação dos reféns. "A paz finalmente parece possível. Instamos todas as partes a aplicarem rapidamente os termos do acordo", afirmou.

Também o Japão saudou o entendimento, que o porta-voz governamental Yoshimasa Hayashi classificou como "um passo importante para acalmar a situação", agradecendo aos Estados Unidos, ao Egito e ao Qatar pelos esforços de mediação.

De Camberra, o primeiro-ministro, Anthony Albanese, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, destacaram tratar-se de "um passo muito necessário para a paz" e defenderam uma solução de dois Estados, sublinhando que o plano exclui o Hamas de qualquer papel na administração futura de Gaza.

O ex-presidente colombiano Iván Duque elogiou o acordo como "um caminho para a estabilidade numa região que tem sofrido a crueldade da guerra e do terrorismo", e a Confederação de Comunidades Judaicas da Colômbia, assim como a organização B'nai B'rith do Uruguai, saudaram o entendimento como um "passo essencial para a convivência e para uma paz justa e duradoura".

E agora?

Segundo fontes oficiais, a libertação dos reféns deverá começar na segunda-feira, após a aprovação do acordo pelo Governo israelita, e a retirada militar cobrirá cerca de 70% do território de Gaza.

"Isto é mais do que Gaza, é o início da paz no Médio Oriente", afirmou Trump numa entrevista à Fox News, assegurando que os Estados Unidos e países vizinhos vão apoiar a reconstrução do enclave. E acrescentou: "Outros países da região ajudarão porque têm imensa riqueza. Nós estaremos envolvidos para garantir que Gaza seja bem-sucedida e pacífica."

Em Telavive, famílias dos reféns reuniram-se em euforia na praça dos Reféns, entre lágrimas e cânticos de "Nobel para Trump". "Quero cheirar o meu filho", disse, emocionada, Einav Zangauker, mãe de um dos reféns.

Em Gaza, onde o cessar-fogo foi recebido com uma mistura de alívio e desconfiança, deslocados e habitantes manifestaram a esperança de poder regressar às suas casas.

"Queremos voltar, mesmo que não haja mais casas", afirmou Alaa Abd Rabbo, deslocado do norte da Faixa.

O acordo mediado pelos Estados Unidos, Qatar, Egito e Turquia marca a tentativa mais significativa de pôr fim à guerra desde o início do conflito, em outubro de 2023.