Israel poderá estar a preparar um plano para retomar os combates na Faixa de Gaza, num movimento que visa forçar o Hamas a cumprir os termos do acordo de cessar-fogo. Ricardo Alexandre considera que “as duas coisas estão diretamente relacionadas”, mas a situação no terreno exige “ajuda internacional e equipas especializadas”.
As próprias declarações do Presidente norte-americano Donald Trump “acabam por explicar a dificuldade que o Hamas tem nesta altura”.
"Quando o Presidente Trump explica a dificuldade que pode ser encontrar corpos que estão a muita profundidade em túneis ou que estão sob os escombros, isso vai ao encontro daquilo que o Hamas diz que precisa só de equipamentos, precisa de ajuda especializada".
Uma ajuda difícil de operacionalizar, uma vez que “não é expectável que seja Israel a mandar esse pessoal para trabalhar lado a lado com o Hamas”. Por isso, “a única solução a curto prazo é antecipar a entrada no território de Gaza de organismos e capacidades internacionais”.
“O Hamas não tem capacidade de resposta para cumprir integralmente o acordo. Israel não vai querer, nem tem condições de segurança para dar essa ajuda. Só com a entrada no terreno de organismos internacionais é possível avançar".
Ucrânia espera por Tomahawk, mas pode sair desiludida
Quanto ao encontro entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, Ricardo Alexandre considera que as expectativas são moderadas.
“Se houver Tomahawk, seja em que quantidade for, será positivo para Zelensky. Se não houver, é mais um encontro de expectativas goradas para o Presidente ucraniano".
A Índia continua a comprar petróleo russo
Ricardo Alexandre comenta ainda a tensão entre os Estados Unidos e a Índia devido à compra de petróleo russo. Trump tem tentado pressionar a Índia a reduzir essa dependência e até ameaçou impor tarifas de 50%.
"As importações de petróleo russo por parte da Índia andam à volta dos 2 milhões de barris por dia e já representam cerca de 35 a 40% das importações indianas".
Com os descontos impostos pela Rússia para contornar as sanções internacionais por causa da guerra na Ucrânia, o petróleo russo “tornou-se bastante atrativo por ser muito mais barato”, o que mantém o fluxo de importações.
