Guerra no Médio Oriente

Hamas anuncia entrega de corpo de um dos últimos reféns

O Hamas anunciou a devolução do corpo de um refém encontrado em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. É um dos seis reféns ainda por devolver no âmbito do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro.

Hamas anuncia entrega de corpo de um dos últimos reféns
Abdel Kareem Hana

O braço armado do grupo islamita palestiniano Hamas anunciou esta sexta-feira a devolução do corpo de um dos últimos reféns ainda mantidos na Faixa de Gaza, com entrega prevista para as 21:00 locais (19:00 em Lisboa).

"O corpo foi encontrado hoje em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza", indica um breve comunicado das Brigadas Ezzedine al-Qassam, que farão a entrega juntamente com as Brigadas al-Quds, o ramo militar da Jihad Islâmica.

Ao abrigo do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro, o protocolo prevê que os islamitas entregam a urna à Cruz Vermelha no enclave palestiniano, que, por sua vez, o faz chegar ao exército israelita.

Por fim, serão realizadas análises forenses no Centro Nacional de Medicina Legal de Israel para determinar se o corpo corresponde a algum dos seis reféns ainda por devolver no âmbito da trégua.

Os reféns em questão são cinco cidadãos israelitas e um tailandês.

À exceção dos restos mortais de um soldado morto em combate em 2014 durante uma guerra anterior na Faixa de Gaza, os outros cinco correspondem a reféns levados durante os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam o conflito no enclave palestiniano.

Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, o Hamas tem relatado dificuldades em localizar os corpos dos reféns que permanecem no território devido à grande quantidade de escombros amontoados por dois anos de conflito e à falta de acesso a maquinaria pesada.

Israel acusa, no entanto, os islamitas de atrasarem deliberadamente a entrega destes corpos para evitar discutir o seu desarmamento, uma questão que deverá ser debatida com os mediadores internacionais quando as negociações para a segunda fase do acordo forem retomadas.

No âmbito do entendimento, foram restituídos pelo Hamas 20 reféns vivos e 22 mortos. Em troca Israel libertou quase dois mil prisioneiros palestinianos e 15 corpos, que estavam na sua posse, por cada refém recuperado.

A trégua foi ameaçada em 28 de outubro, quando o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou o bombardeamento do enclave palestiniano, no seguimento de dois incidentes com o Hamas.

No mesmo dia, Israel acusou o Hamas de abater um militar israelita no sul da Faixa de Gaza, alegação refutada pelo grupo palestiniano, e de entregar restos mortais supostamente de um dos reféns ainda por devolver, mas cujos exames revelaram que pertenciam a um outro já recuperado e sepultado há quase dois anos.

A primeira fase do acordo, impulsionado pelos Estados Unidos com a mediação do Egito, Qatar e Turquia, inclui também a retirada parcial das forças israelitas do enclave e o acesso de ajuda humanitária ao território.

A etapa seguinte, ainda por acordar, prevê a continuação da retirada israelita, o desarmamento do Hamas, bem como a reconstrução e a futura governação do enclave.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 68 mil mortos, segundo as autoridades locais, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.