Guerra no Médio Oriente

Hamas vai entregar hoje mais um corpo de refém

Os restos mortais de Hadar Goldin, 23 anos, são os únicos que permanecem em Gaza desde antes da guerra atual. O soldado israelita foi morto em 1 de agosto de 2014, duas horas depois de entrar em vigor um cessar-fogo que pôs termo ao conflito desse ano entre Israel e o Hamas.

Hamas vai entregar hoje mais um corpo de refém
Yui Mok - PA Images

O Hamas anunciou hoje que vai entregar, de tarde, o corpo de um dos cinco reféns ainda em seu poder, faltando devolver os dos restantes quatro, adiantando que os está a procurar sob os destroços em Gaza.

Por seu lado, o braço armado do Hamas, as Brigadas al-Qassam, insistiram na necessidade de Israel permitir a entrada em Gaza de maquinaria e equipamentos especializados para conseguir devolver os cinco corpos de reféns que permanecem no enclave.

"A operação de remoção dos corpos durante a fase anterior foi realizada em condições complexas e extremamente difíceis e, apesar disso, cumprimos o que nos foi pedido no acordo. Confirmamos que a remoção dos corpos restantes necessita de equipamento e materiais técnicos adicionais", pormenorizou o grupo num comunicado.

Além disso, pediu aos mediadores que "encontrem uma solução para garantir a continuidade do cessar-fogo" e para que Israel não o viole "para atacar inocentes e civis em Gaza", de acordo com o texto.

Sábado, as brigadas afirmaram ter encontrado em Rafah o corpo de Hadar Goldin, soldado israelita cujo cadáver mantém em seu poder desde 2014, e espera-se que esta tarde o devolva a Israel às 14:00 locais (12:00 em Lisboa).

Os restos mortais de Hadar Goldin, 23 anos, são os únicos que permanecem em Gaza desde antes da guerra atual. O soldado israelita foi morto em 1 de agosto de 2014, duas horas depois de entrar em vigor um cessar-fogo que pôs termo ao conflito desse ano entre Israel e o Hamas.

Com base em provas encontradas no túnel para onde o corpo de Goldin foi levado, incluindo uma camisa ensanguentada e franjas de oração, o exército concluiu rapidamente que ele tinha morrido no ataque.

Goldin deixou os pais e três irmãos, incluindo um gémeo. Tinha pedido a namorada em casamento antes de morrer. No início deste ano, a família assinalou os 4.000 dias desde que o corpo foi levado. O exército recuperou este ano o corpo de outro soldado morto na guerra de 2014.

O Hamas denunciou em várias ocasiões, desde que o cessar-fogo entrou em vigor, no dia 10 de outubro, que as forças armadas israelitas não lhe permite aceder a Rafah, onde acredita que se encontrava o cadáver do soldado.

Veículo da Cruz Vermelha no local onde os três reféns serão libertados esta quinta-feira.
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Em Rafah, há também mais de uma centena de milicianos do Hamas, presos desde que Israel assumiu o controlo da cidade, segundo o grupo, por isso, no comunicado de hoje, o Hamas alerta para possíveis "confrontos" nessa zona contra os seus milicianos. 

Com a entrega de Goldin, restam agora quatro reféns, aparentemente todos mortos, em poder do Hamas.

Meny Godard, 73 anos, foi jogador profissional de futebol antes de se alistar no exército israelita e de participar na guerra do Médio Oriente de 1973, segundo o Kibutz Be'eri. Desempenhou várias funções no 'kibutz', incluindo na tipografia local.

Na manhã de 07 de outubro, Godard e a mulher, Ayelet, foram forçados a sair de casa depois de esta ser incendiada. A mulher escondeu-se nos arbustos durante várias horas até ser descoberta e morta pelos militantes. 

Antes de morrer, conseguiu dizer aos filhos que Meny tinha sido morto. A família realizou um funeral duplo para o casal. Deixaram quatro filhos e seis netos.

Ran Gvili, 24 anos, membro de uma unidade policial de elite, estava a recuperar de uma fratura no ombro provocada por um acidente de mota, mas apressou-se a ajudar colegas no dia 07 de outubro. Depois de auxiliar pessoas a fugir do festival de música Nova, foi morto em combate noutro local e o corpo levado para Gaza. O exército confirmou a morte quatro meses depois. Deixou os pais e uma irmã.

Dror Or, 52 anos, pai de três filhos, trabalhava na exploração leiteira do Kibutz Be'eri há 15 anos, tendo chegado a gerente. Era um especialista em fabrico de queijos, segundo familiares e amigos. Em 07 de outubro, a família escondeu-se no quarto de segurança quando os atacantes incendiaram a casa. Dror e a mulher, Yonat, foram mortos. Dois dos filhos, Noam, de 17 anos, e Alma, de 13, foram raptados e libertados durante o cessar-fogo de novembro de 2023.

Por fim, Sudthisak Rinthalak, um trabalhador agrícola tailandês que trabalhava no Kibutz Be'eri. Segundo relatos da comunicação social, era divorciado e trabalhava em Israel desde 2017.

No total, 31 trabalhadores tailandeses foram raptados em 07 de outubro, o maior grupo de estrangeiros mantidos em cativeiro. A maioria foi libertada durante o primeiro e o segundo cessar-fogo. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia afirmou que, além dos reféns, 46 tailandeses foram mortos durante a guerra.

No sábado, As autoridades de saúde da Faixa de Gaza afirmaram que mais de 69.000 palestinianos, na maioria civis, foram mortos na guerra entre Israel e o Hamas, iniciada em 07 de outubro de 2023.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, liderado pelo movimento islamita palestiniano, o número de mortos subiu para 69.169, com outros 170.685 feridos.

O último aumento das mortes é atribuído ao maior número de corpos recuperados dos escombros desde que o cessar-fogo foi anunciado na devastada Faixa de Gaza e também à identificação de corpos anteriormente não identificados.