Guerra no Médio Oriente

Conselho de Segurança da ONU aprova Força Internacional para Gaza

A decisão foi aprovada com a abstenção da Rússia e da China. A proposta visa restaurar a segurança, garantir o acesso humanitário e iniciar um processo sustentado de reconstrução e reforma institucional para o enclave.

Conselho de Segurança da ONU aprova Força Internacional para Gaza
Eduardo Munoz

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, esta segunda-feira, o plano de paz de Donald Trump para Gaza, que prevê, em particular, o envio de uma Força Internacional para o enclave palestiniano.

Segundo a AFP, treze membros do Conselho votaram a favor do documento, que o embaixador americano nas Nações Unidas, Mike Waltz, qualificou de "histórico e construtivo". A Rússia e a China abstiveram-se.

O Conselho de Segurança da ONU apoiou assim a criação de um "Conselho de Paz" como uma "administração da governação de transição" em Gaza e autoriza esse Conselho de Paz a estabelecer uma Força Internacional de Estabilização (ISF, sigla em inglês) temporária no enclave.

O texto autoriza ambas as entidades a vigorarem até 31 de dezembro de 2027, "sujeito a novas deliberações do Conselho".

A proposta visa restaurar a segurança, garantir o acesso humanitário e iniciar um processo sustentado de reconstrução e reforma institucional para o enclave, após dois anos de conflito devastador entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas.

O Conselho de Paz - que seria liderado pelo Presidente Donald Trump, de acordo com o plano de paz de 20 pontos apresentado por Washington - serviria como uma administração externa sobre o enclave palestiniano, supervisionando a governação, a reconstrução, o desenvolvimento económico e a distribuição de ajuda humanitária. 

Força internacional atuará em conjunto com Israel e Egito

Já as responsabilidades da ISF para Gaza incluiriam garantir a segurança das fronteiras de Gaza, proteger civis, facilitar a assistência humanitária, apoiar o treino e o destacamento de uma força policial palestiniana reconstituída e supervisionar o desarmamento permanente das armas detidas pelo Hamas e outros grupos armados no enclave.

A ISF atuará em conjunto com Israel e Egito para estabilizar a segurança em Gaza por um período inicial de dois anos. 

A resolução, que passou por várias reformulações, menciona ainda a possibilidade de um Estado palestiniano, o que gerou contestação do lado israelita, que se opõe totalmente à solução de dois Estados (Israel e Palestina).

Uma proposta de resolução concorrente, apresentada pela Rússia, estava igualmente sob análise formal do Conselho de Segurança da ONU, mas não está claro se a proposta de Moscovo irá a votos em breve.

Hamas já reagiu

A Reuters escreve que o Hamas rejeitou a aprovação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas de uma resolução redigida pelos EUA, afirmando que o documento não atende aos direitos e exigências dos palestinos e busca impor uma tutela internacional sobre o enclave, à qual os palestinos e as facções de resistência se opõem.

"Atribuir à força internacional tarefas e funções dentro da Faixa de Gaza, incluindo o desarmamento da resistência, retira-lhe a neutralidade e transforma-a numa parte do conflito a favor da ocupação", considera o grupo.

Com agências