Guerra no Médio Oriente

Macron anuncia destacamento de mais de 100 polícias para a Faixa de Gaza

O líder francês defendeu a criação de uma comissão conjunta para consolidar o Estado da Palestina, condenou os planos de expansão de colonatos israelitas e prometeu 100 milhões de euros em ajuda humanitária.

Macron anuncia destacamento de mais de 100 polícias para a Faixa de Gaza
Benoit Tessier

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta terça-feira que pretende destacar mais de 100 polícias militares (gendarmes) para reforçar as autoridades palestinianas na Faixa de Gaza, através de missões de controlo de fronteiras da União Europeia.

"A estabilização de Gaza depende do destacamento das forças de segurança e da polícia da Autoridade Palestiniana para garantir a ordem e a segurança diária, em conjunto com os mecanismos que estão a ser discutidos nas Nações Unidas", declarou Macron.

O líder francês falava aos jornalistas após uma audiência com o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, no Palácio do Eliseu, em Paris, e indicou que ambos concordaram com a criação de "uma comissão conjunta para a consolidação do Estado da Palestina", que trabalhará em questões legais, constitucionais e institucionais.

Uma das principais tarefas desta estrutura será a elaboração de uma nova Constituição, para a qual o líder palestiniano já preparou uma primeira versão.

Nas suas declarações, o Presidente francês defendeu também a prioridade de eleições na Cisjordânia, ao mesmo tempo que condenou os planos de expansão de colonatos israelitas nos territórios ocupados.

Os planos de anexação "parcial ou total" da Cisjordânia por Israel, incluindo a anexação 'de facto' através da construção de colonatos, "constituem uma linha vermelha", segundo Macron, que merecerá uma forte reação de Paris e dos seus aliados se forem implementados.

"A violência dos colonos e a aceleração dos projetos de colonatos estão a atingir novos níveis que ameaçam a estabilidade da Cisjordânia e constituem violações do direito internacional", alertou.

A França pretende que a força internacional de estabilização, em discussão no Conselho de Segurança da ONU e baseada num plano promovido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, permita que as forças palestinianas assumam o controlo da Faixa de Gaza assim que o grupo islamita Hamas for desarmado e deposto.

Macron não quer ver o Hamas "retomar o controlo da Faixa de Gaza"

Macron insistiu que o seu país "não quer ver o Hamas restabelecer-se e retomar o controlo da Faixa de Gaza", considerando que, para evitar o que seria "um fracasso coletivo", é urgente trabalhar para o rápido regresso da Autoridade Palestiniana.

O Presidente francês realçou que a prioridade na Faixa de Gaza é, porém, "a emergência humanitária, a entrega imediata, segura e sem entraves" de ajuda a todo o território, sob a supervisão da ONU.

Indicou também que a França contribuirá com 100 milhões de euros este ano para as necessidades humanitárias da Cisjordânia e especificou que haverá envios de emergência de centenas de toneladas de suplementos alimentares, particularmente para crianças, bem como medicamentos e equipamento médico.

Macron reiterou que as reformas da Autoridade Palestiniana são uma condição essencial para o estabelecimento de um Estado estável e sublinhou a importância que atribui ao compromisso de Abbas com eleições "livres e transparentes" no prazo de um ano.

Nas suas declarações e sem direito a perguntas, o chefe de Estado francês reiterou a posição de que "só uma solução de dois Estados permitirá aos povos palestiniano e israelita, bem como toda a região, viver em paz e segurança".

A França foi um dos dez países ocidentais que, no final de setembro, reconheceram o Estado Palestiniano, apesar dos protestos de Israel.



Com LUSA