Mundo

Macron quer "regulação mais robusta" para travar interferência externa nas redes sociais

O Presidente francês defende que a Europa deve "retomar o controlo da sua vida democrática e informativa através da regulação", insistindo que a resposta não deve comprometer a inovação tecnológica.

Macron quer "regulação mais robusta" para travar interferência externa nas redes sociais
Ajeng Dinar Ulfiana

O Presidente francês pediu, esta quarta-feira, a criação de uma "agenda mais robusta de proteção e regulação na Europa" para enfrentar a interferência estrangeira e os abusos em informação nas redes sociais, que ameaçam as democracias.

"O nosso erro reside aqui. Estas plataformas são concebidas para vender publicidade personalizada", disse Emmanuel Macron durante o Fórum da Paz de Paris, evento dedicado à governação global e à cooperação internacional.

"São movidas por um processo de criação de máxima agitação, que gera o máximo de tráfego e, portanto, mina completamente a ordem meritocrática que sustenta as nossas democracias - a relação com o argumento racional e com a verdade", sublinhou.

O Presidente francês alertou que as redes sociais se tornaram terreno fértil para a desinformação e para campanhas de manipulação política.

"Hoje, os maiores compradores de contas falsas são os russos, que procuram desestabilizar as democracias europeias. Isto é interferência em esteróides", denunciou.

Macron defendeu que a Europa deve "retomar o controlo da sua vida democrática e informativa através da regulação", insistindo que a resposta não deve comprometer a inovação tecnológica.

"Acredito profundamente na inovação, mas não acredito nem por um segundo numa inovação que sirva artimanhas obscuras", argumentou Macron.

O Presidente francês defendeu que a nova agenda europeia de regulação deverá compatibilizar "proteção e inovação", promovendo o desenvolvimento de "atores de interesse público" que ofereçam "infraestruturas digitais abertas e seguras".