Foi há precisamente três meses que o Presidente da Rússia anunciou o início do conflito na Ucrânia, a que chamou “operação especial”. Minutos depois do discurso de Vladimir Putin, os primeiros mísseis começaram a cair em território ucraniano. Aviso: as imagens abaixo podem ferir a suscetibilidade de alguns leitores.
Quando o Presidente Putin anunciou o princípio da guerra, prometeu aos russos esvaziar a Ucrânia de armamento e dos nazis que lideravam o país. Mais de seis milhões de ucranianos não tiveram escolha e deixaram para trás tudo o que tinham, abandonando o país, a maior parte rumo à Polónia.
Além destes refugiados, três meses após o início da invasão russa, há cerca de oito milhões de deslocados internos, segundo dados das Nações Unidas. No total, um terço da população ucraniana está em fuga.
A capital do país era um dos objetivos iniciais e rapidamente os soldados russos chegaram às portas de Kiev, mas a resistência que enfrentaram foi tal que acabaram por desistir, saindo totalmente do norte do país na primeira semana de abril.
A sul, as tropas ucranianas não foram capazes de impedir que os russos atravessassem o rio Dniepre e, com isso, tomaram Kherson com alguma rapidez. Só não passaram ainda Mykolaiv, o grande travão a sul, antes de Odessa.
De saída dos arredores de Kiev, os russos deixaram para trás um rasto raramente visto de destruição. Neste conflito ficam para a história os horrores de Bucha e as marcas de um bombardeamento infindável em Irpin, Hostomel ou Borodianka – cidades a apenas 30 quilómetros do centro da capital ucraniana.
Pelo caminho, a cidade portuária de Mariupol foi destruída e, durante meses, a siderurgia Azovstal foi abrigo e trincheira para milhares de combatentes ucranianos, que só na passada semana se renderam.
O armamento entregue à Ucrânia pelo Ocidente permitiu afastar os russos de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, e onde milhares de pessoas viveram no metro até há bem pouco tempo.
Três meses após o início da guerra, as tropas russas concentram-se agora no Sul e no Donbass, dando o tudo por tudo para garantir a província de Lugansk. É, aliás, junto a Severodonestk que atualmente acontecem as batalhas mais duras.
O conflito joga-se agora entre o armamento que chega à Ucrânia, cada vez mais avançado mas que exige formação apressada aos militares ucranianos, e a ambição de Putin: ou fica pelo Donbass e pelo Sul ou tenta o que até agora falhou, o caminho para Odessa ou o sonho de chegar a Kiev.
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