Guerra Rússia-Ucrânia

Zelensky pede ao Ocidente que feche as fronteiras a todos os cidadãos russos

Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskyy
Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskyy
AP

O Kremlin já reagiu e afirmou que o pedido do Presidente ucraniano é irracional.

O fecho de fronteiras a todos os cidadãos russos é a forma de impedir que a Rússia anexe mais territórios ucranianos, defende o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky numa entrevista ao jornal The Washington Post.

Zelensky considera que os russos deveriam "viver no seu próprio mundo até que mudem de filosofia" e acredita que as sanções "mais importantes" que se podem aplicar são o fecho de fronteiras.

O Presidente ucraniano acrescentou ainda que qualquer sanção que tenha sido aplicada até aqui é "fraca" quando comparada com o encerramento de fronteiras para cidadãos russos durante um ano e um embargo total à compra de energia da Rússia.

Certo é que as companhias aéreas russas estão proibidas de sobrevoar a maior parte da Europa e da América do Norte, mas uma proibição, como a sugerida agora por Zelensky, não está em vigor. Neste momento, um cidadão russo pode solicitar um visto para os Estados Unidos, por exemplo.

Já existem vozes contra esta proposta, que consideram que afetaria injustamente aqueles que deixaram o país porque discordam do Governo de Putin e da invasão da Ucrânia. Mas Zelensky está irredutível e afirma que estas distinções não importam: "Qualquer tipo de russo… faça-os ir para a Rússia".

A população inteira não pode ser responsabilizada, pode?

Pode. A população escolheu este Governo e não está a lutar contra ele, não está a discutir com ele, não está a gritar contra ele.

O Kremlin já reagiu e considerou que o pedido de Zelensky é irracional. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, defende mesmo que não há hipótese de os russos ficarem isolados do resto do mundo e afirma que a Europa terá que decidir se quer pagar as contas dos "caprichos" do Presidente ucraniano.

A primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, e da Estónia, Kaja Kallasjá, defendem que a emissão de vistos de turistas para cidadãos russos deve ser suspensa. As duas líderes alegam que não devem poder tirar férias na Europa enquanto a Rússia leva a cabo uma guerra na Ucrânia.

Kallas disse mesmo, através do Twitter, que "visitar a Europa é um privilégio e não um direito humano" e que é "hora de acabar com o turismo da Rússia". Já Sanna Marin considerou que "não está certo que, enquanto a Rússia trava uma guerra agressiva e brutal na Europa, os russos possam ter uma vida normal, viajar na Europa e ser turistas".

Segundo a emissora finlandesa YLE, a questão dos vistos para cidadãos russos será discutida durante uma reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia a 31 de agosto.

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