O Presidente da França, Emmanuel Macron, disse ao seu homólogo russo que "a invasão da Ucrânia é a causa dos riscos" na maior central nuclear europeia, em Zaporijia, e pediu a retirada de todas as armas.
De acordo com um comunicado da Presidência francesa, difundido no seguimento de uma conversa telefónica entre os dois líderes, Macron vai "permanecer em contacto" com o chefe de Estado da Ucrânia e com o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, e vai falar novamente com Vladimir Putin "nos próximos dias, para que se possa encontrar um acordo que garanta a segurança da central".
O comunicado surge depois de o Kremlin ter dito que Putin avisou Macron sobre as "consequências catastróficas dos frequentes ataques ucranianos" à central nuclear, que é controlada pelas forças russas.
No telefonema, Emmanuel Macron também "condenou a continuação das operações militares russas na Ucrânia e reiterou a sua exigência de que elas cessem o mais rapidamente possível, que as negociações comecem e que a soberania e a integridade territorial da Ucrânia seja restaurada", segundo o Eliseu, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Também este domingo, a operadora nuclear ucraniana revelou que foi desligado o último dos seis reatores de Zaporijia, após ter sido restabelecido o fornecimento de eletricidade a Enerhodar, cidade onde está localizada a maior central nuclear da Europa.
A Energoatom adiantou que uma das linhas que ligava a central à rede nacional ucraniana de eletricidade foi restaurada na noite de sábado, permitindo à empresa encerrar o último reator.
A última linha de energia tinha sido cortada na segunda-feira, deixando a central sem qualquer tipo de fonte de energia exterior.
Zaporíjia era até ao momento alimentada pelo único dos seis reatores que se mantinha operacional, fornecendo energia apenas aos seus sistemas de segurança, o que a deixava ainda mais vulnerável.
Localizada a Sul da Ucrânia e controlada pelas forças russas, a central de Zaporijia foi bombardeada várias vezes nas últimas semanas.
Moscovo e Kiev culpam-se mutuamente por esses ataques.