Guerra Rússia-Ucrânia

Ameaça nuclear de Putin "é imprevisível"

Análise

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Bruno Gonçalves, investigador e presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, analisa, na SIC Notícias, a ameaça de Putin e a situação da central de Zaporijia.

Bruno Soares Gonçalves, investigador do Instituto Superior Técnico e presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, analisou a ameaça nuclear de Putin aos Estados Europeus, assim como a débil situação em que a central de Zaporijia se encontra.

Vladimir Putin falou à nação na manhã desta quarta-feira e deixou bem claro que a Rússia irá agir com todos os meios necessários contra a Europa, no caso de uma ameaça concreta. Para tal, o líder russo não descorou a possibilidade de dar uso ao seu arsenal nuclear.

Num momento em que a Rússia tem vindo a perder terreno ao longo das últimas semanas, Bruno Gonçalves, afirma que esta ameaça é imprevisível. Por um lado, Putin pretende terminar com urgência o conflito que se prolonga há vários meses e, nesse caso, o uso de armas nucleares seria a solução mais rápida e eficaz.

Noutra perspetiva, acredita que o Kremlin irá ponderar de forma bastante meticulosa o uso destas armas de destruição em massa, visto que uma guerra nuclear seria destrutiva para todas as nações do globo, inclusive para a Rússia.

Segundo o investigador, a estratégia adotada pela Rússia em caso de um ataque nuclear passaria por atacar centros de decisão na Ucrânia e não por levar a cabo um ataque generalizado ao Ocidente, pois tal comportamento “seria totalmente insano”.

Situação da central nuclear de Zaporijia “é frágil e precária”

Nas últimas horas, a maior central nuclear da Europa sofreu vários ataques e a sua situação é, neste momento, “frágil e precária”.

Entretanto, a Ucrânia já responsabilizou os opositores pelas ações militares. Para Bruno Gonçalves, ataques como este põem em causa a integridade das instalações, mas como neste momento os reatores se encontram desligados, um eventual ataque de grandes dimensões seria consideravelmente menos perigoso.

Todos os pilares de segurança foram violados

O investigador destaca ainda que, durante os últimos meses, todos os pilares de segurança que regem infraestruturas nucleares “foram violados”. Contudo, acredita que a presença de especialistas da Agência Internacional da Energia Atómica nas instalações da central nuclear é positiva, na medida em que é possível monitorizar e controlar de perto tudo o que ali acontece.

Para o investigador, os sucessivos bombardeamentos às infraestruturas “são preocupantes”, principalmente quando acontecerem no período de inverno, pois poderão conduzir à falta de abastecimento energético de muitas casas ucranianas.

Nas últimas semanas, os ataques russos a edifícios energéticos têm aumentado, facto visto como estratégico pelas forças russas que, segundo Bruno Gonçalves, pretendem privar a Europa dos benefícios da exportação de energia ucraniana.

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