Guerra Rússia-Ucrânia

Soldados russos armados “varrem” casas em busca de votos no referendo de anexação

Soldados russos armados “varrem” casas em busca de votos no referendo de anexação
Anadolu Agency
Há relatos de pessoas obrigadas a votar em duplicado.

No segundo dia de votação no referendo pela anexação, há relatos de que soldados russos estão a dirigir-se à casa dos habitantes nas regiões ocupadas e a obrigá-los a irem votar. Ao mesmo tempo, na Rússia, continuam os protestos contra a mobilização parcial anunciada por Putin e há já longas filas junto à fronteira com a Geórgia e a Finlândia para fugir do país.

Entretanto, Vladimir Putin endureceu as penas para desertores e militares que se rendam em combate. As penas podem ir até 10 anos de prisão para os soldados que desertem, que se rendam "sem autorização", que recusem combater ou que desobedeçam às ordens.

Além disso, Putin assinou também uma lei que facilita o acesso à nacionalidade russa para estrangeiros que se alistem por pelo menos um ano no exército, num momento em que Moscovo tenta por todos os meios recrutar mais homens para combater na Ucrânia.

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Soldados russos vão buscar residentes porta-a-porta para votar


À BBC, uma residente de Zaporíjia contou que os soldados russos estão a ir de porta em porta para que os habitantes votem no referendo. Por medo, a mulher não revelou a identidade, mas relatou o “pânico” sentido ao ver os soldados armados.

“Se abrimos a porta, e estando os soldados armados, então responder que não concordamos com a anexação é muito assustador. Não sei quem terá coragem de dizer que ‘não’ a este tipo de gente”, disse.

Uma situação que não acontece só em Zaporíjia. As autoridades da região ucraniana de Kherson, também sob controlo russo, denunciaram que os militares presentes na zona obrigam a população a votar várias vezes no referendo.

"Há 'comissões eleitorais' acompanhadas de militares armados que percorrem a região e vão a casa dos eleitores que tentam por todos os meios evitá-los. Alguns já tiveram azar duas vezes: tiveram de preencher o boletím e votar segunda vez", denunciou.

Segundo as autoridades regionais, as tropas russas comprovam que todos os elementos dos agregados familiares votaram e, se não for assim, obrigam um deles a depositar votos nas urnas por cada um dos familiares.


O que diz Zelensky?


O Presidente da Ucrânia está confiante de que os referendos russos vão ser condenados pelo mundo e voltou a apelar a todos os ucranianos para que continuem a resistir e a lutar.

“O mundo vai condenar estes pseudo-referendos e também a mobilização que os ocupantes estão a levar a cabo na Crimeia e noutras regiões da Ucrânia que ainda controlam”, afirmou.

As autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, assim como as autoridades pró-russas de Kherson e Zaporíjia, iniciaram na sexta-feira um referendo de adesão à Rússia, que terminará na terça-feira.

Moscovo já adiantou que respeitará o resultado da votação.

As autoridades pró-russas da Crimeia realizaram um referendo de adesão à Rússia em 2014, cujo resultado legitimou o Presidente russo, Vladimir Putin, para anexar a península ao território da Federação Russa.

Os números da adesão do primeiro dia de votação

Segundo o líder da autoproclamada república de Donetsk, Denis Pushilin, a participação no primeiro dia de votação foi de 23,64%, enquanto na vizinha Lugansk foi de 21,97%.

No sudeste, na região de Zaporíjia, a presidente da comissão eleitoral, Galina Katiushchenko, disse que 20,5% dos votantes já participaram no referendo de anexação à Rússia.

A participação na consulta na província de Kherson, no sul, foi de 15,3%, segundo a presidente do órgão eleitoral pró-russo, Marina Zakhrova.

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