Guerra Rússia-Ucrânia

Novos cortes de energia em Kiev e principais cidades devido aos ataques russos

Novos cortes de energia em Kiev e principais cidades devido aos ataques russos
Felipe Dana
A rede elétrica da cidade está a operar em “modo de emergência”, devido ao fornecimento de eletricidade até metade, em comparação com os níveis anteriores à guerra.

As autoridades ucranianas anunciaram esta sexta-feira novos cortes de energia contínuos nas maiores cidades do país e subúrbios, incluindo na capital Kiev, numa altura em que as forças russas mantêm ataques contra infraestruturas energéticas.

A Ukrenergo, operadora estatal das linhas de transmissão de alta tensão da Ucrânia, referiu que foram retomadas na região de Kiev “interrupções de emergência” de quatro horas por dia.

O governador desta região, Oleksiy Kuleba, adiantou através da rede social Telegram que os moradores da capital podem esperar falhas de energia “mais duras e mais longas" em comparação com o início da guerra, noticiou a agência Associated Press (AP).

Já o presidente da câmara de Kiev realçou que a rede elétrica da cidade está a operar em “modo de emergência”, devido ao fornecimento de eletricidade até metade, em comparação com os níveis anteriores à guerra.

Vitali Klitschko acrescentou que espera que a Ukrenergo encontre maneiras de lidar com a escassez “em duas a três semanas, salvo circunstâncias além de seu controlo”.

Na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, o governador anunciou no Telegram o início de cortes de energia diários de uma hora a partir de segunda-feira em toda a província, incluindo a capital regional, que é a segunda maior cidade ucraniana.

As medidas “são necessárias para estabilizar a rede elétrica, porque o inimigo continua a bombardear a infraestrutura de energia”, sublinhou Oleg Syniehubov.

Um pouco por todo o país as autoridades estão a apelar à população para uma poupança de energia, reduzindo o consumo de eletricidade durante os horários de pico e evitando o uso de aparelhos de alta tensão.

30% DAS CENTRAIS DE ENERGIA DA UCRÂNIA DESTRUÍDAS

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, realçou na semana passada que 30% das centrais de energia da Ucrânia foram destruídas desde que a Rússia lançou a primeira vaga de ataques direcionados a este tipo de infraestruturas, em 10 de outubro.

Na Rússia, o ministro da Defesa informou o Presidente russo, Vladimir Putin, que os militares convocaram 300.000 reservistas desde que Putin emitiu uma ordem de mobilização no mês passado para reforçar as forças do país na Ucrânia.

O esforço de Putin para aumentar o número de tropas russas posicionadas ao longo da linha de frente de 1.000 quilómetros na Ucrânia sofreu vários contratempos, incluindo uma retirada russa da região de Kkarkiv.

A mobilização alimentou protestos na Rússia e levou dezenas de milhares de homens a fugirem do país.

Serguei Shoigu informou ainda o chefe de Estado russo que 82.000 reservistas foram enviados para a Ucrânia, enquanto outros 218.000 ainda estão a ser treinados.

Putin indicou a Shoigu que os militares precisam de garantir que os 300.000 reservistas convocados até agora sejam treinados e adequadamente equipados “para que estes se sintam confiantes quando precisarem de ir para o combate”.

Nas últimas 24 horas, mísseis russos e ataques com artilharia causaram pelo menos quatro mortos e 10 feridos, a maioria na província de Donetsk, no leste da Ucrânia, segundo o gabinete presidencial.

As forças russas preparam-se para um ataque a Bakhmut após uma série de contratempos no leste, bem como a Avdiikva, o que torna toda a região de Donetsk em "uma zona de hostilidades ativas", segundo o governador Pavlo Kyrylenko.

A tomada pelos russos de Bakhmut, que permaneceu em mãos ucranianas durante a guerra, abriria caminho para o Kremlin avançar para outros redutos ucranianos importantes em Donetsk, no Donbass.

Uma ofensiva revigorada no leste também pode potencialmente parar ou atrapalhar o esforço da Ucrânia para recapturar a cidade de Kherson, no sul, uma porta de entrada para a Crimeia, que a Rússia anexou da Ucrânia em 2014.

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