Guerra Rússia-Ucrânia

Tropas russas recebem ordem de Moscovo para abandonarem Kherson

Tropas russas recebem ordem de Moscovo para abandonarem Kherson
Alexei Alexandrov

O ministro da Defesa russo reconheceu que está a tornar-se “impossível” entregar material de subsistência às tropas que estão na cidade.

A ordem foi dada pelo ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, perante o que disse ser a impossibilidade de entregar mantimentos às suas tropas.

As tropas da Rússia vão retirar-se do lado ocidental (margem esquerda) do rio Dniepre, noticia a agência russa TASS, acrescentando que o ministro da Defesa da Rússia foi informado esta quarta-feira pelos comandantes militares no terreno de que era impossível abastecer com mantimentos a cidade de Kherson e outras áreas da margem ocidental do rio Dnieper, tendo Shoigu concordado com a proposta de recuo das tropas para a margem leste.

“Comecem a retirar” disse às tropas de Moscovo que estão na cidade de Kherson, no sul da Ucrânia, que estava tomada desde o início do conflito, há quase nove meses.

Aliás, recorde-se que Kherson é uma das quatro regiões ucranianas anexadas pela Rússia a 30 de setembro, juntamente com Donetsk, Lugansk e Zaporíjia. Porém, é também um dos alvos de uma contraofensiva lançada pelas forças de Kiev há cerca de dois meses.

A Ucrânia já reagiu. Um conselheiro do presidente Zelensky avisa que “é demasiado cedo” para falar em retirada, vincando que tal só deve acontecer depois de ser hasteada a bandeira da Ucrânia na cidade.

“As ações falam mais alto do que as palavras. Não temos sinais de que a Rússia recue em Kherson sem lutar”, avisa Mykhaylo Podolyak.

As autoridades pró-russas de Kherson admitiram na terça-feira a superioridade numérica das forças ucranianas na região.

"Apesar da superioridade numérica das forças armadas ucranianas", os soldados russos "repelem com sucesso todos os ataques", disse na altura o vice-governador Kirill Stremousov, que morreu hoje num acidente de trânsito.

Na antena da SIC, José Milhazes alertou que ainda não é “hora de fazer a festa”. Já Nuno Rogeiro admite desde já que estamos perante “uma derrota” de Moscovo.

Comandante russo explica o porquê da retirada

O comandante das forças russas na Ucrânia, Sergei Surovikin, explicou que já não era possível manter a cidade de Kherson abastecida.

"Nas condições atuais, a cidade de Kherson (...) não pode ser totalmente abastecida. As vidas das pessoas estão constantemente em perigo por bombardeamentos. O inimigo [Ucrânia] está a atacar indiscriminadamente na cidade, possivelmente utilizando armas proibidas."

Alto responsável da ocupação em Kherson morre em acidente

Antes do anúncio da retirada, e num momento em que está no terreno uma contra-ofensiva da Ucrânia neste território do sul do país, soube-se que um alto responsável da ocupação russa na região ucraniana de Kherson (sul), Kirill Stremoussov, morreu num acidente de viação, declarou um líder russo.

"Estou muito triste em informar que Kirill Stremoussov morreu na região de Kherson (...) num acidente de trânsito", afirmou Vladimir Saldo, chefe da administração da ocupação russa na região.

Nos últimos meses, vários quadros indicados por Moscovo foram alvo de ataques, por vezes fatais, atribuídos pelo Kremlin aos serviços de informação ucranianos que operam atrás das linhas inimigas.

Desde a conquista da região de Kherson no início de março, Kirill Stremoussov era um dos mais importantes porta-vozes das forças de ocupação russas. O alto responsável falou muitas vezes nos meios de comunicação pró-Kremlin e apoiou fortemente a campanha militar russa na Ucrânia.

Nos últimos dias, Stremoussov vinha falando com regularidade sobre as grandes retiradas de civis em andamento na região de Kherson, diante do avanço das tropas ucranianas que realizam uma contra-ofensiva há semanas.

"Trabalhava sem arma. Trabalhava com a palavra e com a capacidade de se expressar", lamentou Vladimir Saldo, especificando que Stremoussov era pai de cinco filhos.

"É uma grande tragédia, uma perda irreparável", também reagiu Sergei Aksionov, chefe da ocupação pró-russa da região ucraniana da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014, na rede social Telegram.

Segundo vários meios de comunicação russos, Kirill Stremoussov nasceu em 1976 na região ucraniana de Donetsk (leste), parcialmente ocupada pelo exército russo.

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