Guerra Rússia-Ucrânia

Mais de 6 milhões de casas afetadas com cortes de energia, diz Presidente da Ucrânia

Mais de 6 milhões de casas afetadas com cortes de energia, diz Presidente da Ucrânia
Andrew Kravchenko

Mais de seis milhões de residências continuam afetadas por cortes de energia na Ucrânia, dois dias depois dos ataques em massa da Rússia contra infraestruturas energéticas.

Mais de seis milhões de residências continuavam, esta sexta-feira, afetadas por cortes de energia na Ucrânia, dois dias depois dos ataques em massa da Rússia contra infraestruturas energéticas naquele país, adiantou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

"Os 'blackouts' continuavam esta noite [sexta-feira] na maioria das regiões e em Kiev. Mais de seis milhões de lares no total", em comparação com quase 12 milhões na quarta-feira, o dia em que ocorreu o bombardeamento russo em massa, sublinhou Zelensky no seu habitual discurso noturno diário publicado nas redes sociais.

Kiev, com cerca de 600.000 casas sem eletricidade à noite, e a sua região, assim como as províncias de Odessa (sul), Lviv, Vinnytsia (oeste) e Dnipropetrovsk (centro-leste), são as mais afetadas pelos cortes, acrescentou o governante.

Zelensky voltou a apelar aos ucranianos para que economizem eletricidade nas áreas onde a energia foi restaurada.

A estratégia de Moscovo de bombardear instalações energéticas, seguida desde outubro num cenário de recuos militares, é considerada "crime de guerra" pelos aliados ocidentais da Ucrânia e qualificada como um "crime contra a humanidade" pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

A Rússia, por seu lado, afirma visar apenas infraestruturas militares e atribui os cortes de energia aos disparos das defesas aéreas ucranianas.

O chefe de Estado ucraniano visitou Vyshgorod, uma cidade a norte de Kiev, onde os ataques causaram seis mortos e dezenas de feridos na quarta-feira.

As autoridades ucranianas estimam que cerca de 50% das instalações de energia da Ucrânia foram danificadas nos recentes ataques.

A eletricidade está parcialmente restaurada e "o sistema energético está mais uma vez ligado ao sistema energético da União Europeia", explicou.

Abastecimento de água e luz totalmente restabelecido em Kharkiv

As autoridades locais de Kharkiv, no leste da Ucrânia, adiantaram, esta sexta-feira, que já foi restabelecido na sua totalidade o abastecimento de água e eletricidade naquela cidade, após os ataques das forças russas ocorridos esta semana.

O presidente da Câmara da cidade, Igor Terekhov, alertou que embora o fornecimento tenha sido retomado, o município ainda regista algumas adversidades para garantir integralmente o abastecimento, principalmente de energia elétrica.

O autarca lembrou que as autoridades locais instalaram espaços para carregamento de dispositivos móveis e outros para compra de bebidas quentes e refeições em diferentes pontos da via pública, de acordo com a agência de notícias local Ukrinform.

As forças russas lançaram, na quarta-feira, uma nova vaga de ataques contra infraestruturas energéticas ucranianas, que foram gravemente afetadas.

Em Kiev, quase metade dos habitantes continuavam hoje sem eletricidade e dois terços sem aquecimento, numa altura em que as temperaturas negativas chegam à região, alertou o presidente da câmara da capital ucraniana Vitaly Klitschko.

O presidente do conselho de administração da empresa estatal de eletricidade Ukrenergo, Volodymyr Kudrytsky, referiu que o sistema energético ucraniano passou agora "a fase mais difícil" após o ataque.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.595 civis mortos e 10.189 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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