Guerra Rússia-Ucrânia

Três anos de guerra: Trump e Putin avançam com negociações, Zelensky mantém reservas

Ao fim de três anos de guerra na Ucrânia, os Presidentes dos Estados Unidos e da Rússia concordaram em iniciar negociações para pôr fim ao conflito. A decisão surge num momento em que as forças russas têm registado avanços no leste ucraniano. No entanto, o Presidente da Ucrânia manifestou forte oposição a qualquer acordo que exclua Kiev, alertando para os riscos de confiar nas intenções do Kremlin.

Ao terceiro ano de guerra, o novo Presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, aceitou iniciar negociações para pôr fim à guerra. A Rússia tem vindo a ganhar terreno mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde que lançou a sua invasão em grande escala na Ucrânia.

A 24 de fevereiro de 2022, o Presidente da Rússia Vladimir Putin declara o início de uma “operação militar” na Ucrânia para “desnazificar e desmilitarizar" um país que nunca considerou como tal.

"Tomei a decisão de uma operação militar especial". Com estas palavras, Vladimir Putin lança a invasão da vizinha Ucrânia, desencadeando o pior conflito no continente europeu desde a II Guerra Mundial.

Numa ofensiva relâmpago, a Rússia tenta tomar a capital Kiev, mas as forças ucranianas resistem ferozmente, forçando as tropas russas a recuar e transferindo os combates para sul e leste, no Donbass, territórios separatistas ucranianos contra o que Kiev luta desde 2014, ano em que a Rússia invadiu e anexou a Crimeia.

A Ucrânia não se deixou vencer como Putin esperava. Além de se estarem a preparar para esta invasão desde 2014, os ucranianos são liderados pelo improvável líder que se tornou um incontornável protagonista pela sua coragem e capacidade de resistência, o ex-ator cómico e Presidente da Ucrânia Volodomyr Zelensky.

Mas em 3 anos de ofensiva russa o saldo é pesado: morreram milhares de civis, muitos outros milhares ficaram feridos, casas e infraestruturas destruídas, uma economia de rastos.

Conquistas e perdas de território da Ucrânia desde o início da guerra

Estes mapas mostram as mudanças no território ucraniano desde quea Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com a parte oriental do país a ficar sob controlo russo.

Os mapas vão mostrando as conquistas e perdas de território, controlado pela Ucrânia ou pela Rússia, em quase três anos de guerra. O último mapa mostra quais as áreas controladas e por quem a 12 de fevereiro de 2025.

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Os especialistas dizem que as forças russas se deverão concentrar na tomada de aldeias e cidades ucranianas da linha da frente durante o inverno - tomaram recentemente a cidade de Kurakhove e continuam a avançar para nordeste, em direção à cidade de Pokrovsk - a mudança mais marcante no controlo da linha da frente perto de Donetsk em vários meses.

No entanto, tácticas inovadoras das forças ucranianas, combinando o uso de drones e forças terrestres, infligiram perdas significativas de tropas e equipamento e abrandaram a ofensiva russa.

A batalha ocorre principalmente no leste da Ucrânia, com pelo menos 70.000 soldados russos mortos - e cerca de 500.000 mortos ou feridos no total, de acordo com dados do Ministério da Defesa do Reino Unido analisados pela BBC.

Ucrânia sugere trocas de território

O Leste da Ucrânia é território contestado desde 2014, quando combatentes apoiados pela Rússia tomaram grandes áreas das regiões orientais de Donetsk e Luhansk. A Rússia já tinha tomado o sul da península da Crimeia em fevereiro de 2014, antes de a anexar pouco depois.

Numa entrevista ao The Guardian a 11 de fevereiro, o Presidente ucranianosugeriu que o território controlado pela Rússia na Ucrânia poderia ser trocado por território tomado na região ocidental de Kursk, na Rússia, no âmbito de um acordo de paz.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, descreveu a sugestão de Zelensky de uma troca de território como "impossível". O antigo chefe de Estado russo, Dmitry Medvedev, descreveu-a como "absurda".

A questão das terras raras

O Presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado para um fim rápido da guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Mas em troca, Trump exige que a Ucrânia forneça terras raras e outros minerais aos EUA.

Na segunda-feira, 3 de fevereiro, Donald Trump disse que quer que a Ucrânia forneça minerais terras raras, que são essenciais para inovações tecnológicas como condição para a manutenção do apoio norte-americano no esforço de guerra. A Ucrânia tem importantes recursos que são essenciais para setores como o aeroespacial e os veículos elétricos.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou dias mais tarde que está disposto a partilhar recursos com os aliados. No outono passado, a Ucrânia já tinha proposto abrir o setor mineiro ao investimento dos seus aliados. O "plano de vitória" apresentado por Zelensky em outubro de 2024 procurava reforçar a posição do país nas negociações e forçar Moscovo a negociar.

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Negociações de paz

Trump sugeriu um encontro com Putin para pôr um fim a três anos de conflito na Ucrânia. Após uma conversa telefónica prolongada, ambos os líderes comprometeram-se a iniciar negociações imediatas para alcançar a paz.

Entretanto, realizou-se na Arábia Saudita um encontro entre a diplomacia russa e norte-americana para debater a situação na Ucrânia, que não foi convidada. Vladimir Putin considerou que constituem um "primeiro passo" para o restabelecimento das relações entre as duas potências.

No entanto, Zelensky, expressou preocupações sobre estas negociações ocorrerem sem a participação direta da Ucrânia. O Presidente reforçou a posição ucraniana, afirmando que o futuro do país passa pela adesão à NATO e à União Europeia.

O Kremlin mantém a sua firme oposição à entrada da Ucrânia na NATO.

A Europa responde à posição de Trump em relação à Ucrânia comprometendo-se a aumentar as despesas com a defesa. Alguns líderes europeus avançam com a proposta da criação de uma força europeia de manutenção da paz apoiada pelos EUA para a Ucrânia.

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