Guerra Rússia-Ucrânia

Ucrânia lança mais de 250 drones contra a Rússia e atinge infraestruturas estratégicas

As autoridades regionais de Belgorod informaram que os bombardeamentos, que atingiram centrais elétricas, provocaram cortes de energia em 24 localidades, incluindo a capital regional. Os ataques deixaram cerca de 40.000 pessoas sem energia.

Ataque na região da Crimeia
Ataque na região da Crimeia
Alexey Pavlishak

A Rússia anunciou esta segunda-feira ter intercetado 251 drones ucranianos durante a noite, num dos maiores ataques de Kiev em três anos e meio de conflito, particularmente intenso na região do mar Negro.

No entanto, autoridades locais relataram a ocorrência de vários incêndios em infraestruturas estratégicas ocorreram após os ataques ucranianos.

As autoridades regionais de Belgorod informaram que os bombardeamentos, que atingiram centrais elétricas, provocaram cortes de energia em 24 localidades, incluindo a capital regional.

Estes ataques deixaram cerca de 40.000 pessoas sem energia, embora o serviço tenha sido parcialmente restabelecido hoje pela manhã.

Entretanto, os canais locais do Telegram reportaram incêndios numa central termoelétrica em Bryansk, num depósito de petróleo na Crimeia e numa fábrica de explosivos em Nizhny Novgorod.

Rússia lançou maior ataque desde o início da guerra

No domingo, a Rússia lançou o maior ataque, desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, contra a região de Lviv, que faz fronteira com a Polónia, de acordo com o chefe da Administração Militar Regional da Ucrânia, Maksim Kozitskí.

Cerca de 140 drones e 23 mísseis foram direcionados Lviv e o ataque obrigou a Polónia e os seus aliados da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a ativarem o seu alerta máximo e os sistemas de defesa e de reconhecimento.

Desde o início da ofensiva russa, em fevereiro de 2022, Moscovo lança quase diariamente drones e mísseis sobre a Ucrânia, que responde regularmente com ataques ao território russo.

Kiev costuma visar as infraestruturas energéticas russas, mas os ataques são geralmente limitados a algumas dezenas de drones.

Russia controla 19% da Ucrânia

Por seu lado, Moscovo intensificou as agressões à rede elétrica ucraniana nos últimos dias, temendo-se uma campanha destinada a mergulhar o país na escuridão com a aproximação do inverno, como aconteceu em 2024.

No final de setembro, Moscovo exercia controlo total ou parcial sobre 19% do território ucraniano, de acordo com a análise da agência de notícias France-Presse (AFP) aos dados fornecidos pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), organização norte-americana.

Cerca de 7% - a Crimeia e zonas do Donbass - já estavam sob controlo antes do início da invasão russa em fevereiro de 2022.

Enquanto os esforços diplomáticos empreendidos pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, durante o verão para pôr fim ao conflito ficaram paralisados, o avanço do exército russo voltou a abrandar em setembro.

A Rússia conquistou 447 quilómetros quadrados (km²) aos ucranianos, acentuando a desaceleração iniciada em agosto (594 km²) após um pico em julho (634 km²).