Guerra Rússia-Ucrânia

Análise

Trump testa limites de Putin: "Zelensky quer Tomahawks e também precisa de sistemas de defesa antiaéreos"

Na análise à atualidade internacional, Ana Cavalieri alerta para os riscos de Donald Trump avançar com o fornecimento de mísseis Tomahawk à Ucrânia. A comentadora da SIC sublinha que a decisão pode ter mais peso político do que militar.

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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta sexta-feira que se reuniu com representantes do fabricante norte-americano dos sistemas de mísseis Tomahawk e Patriot, que Kiev exige para se defender da invasão russa. Ana Cavalieri explica que o eventual envio de mísseis Tomahawk para a Ucrânia “implicaria apoio direto dos serviços de inteligência norte-americanos”, o que seria visto por Moscovo como uma participação indireta dos EUA no conflito.

Segundo a comentadora da SIC, o Presidente dos EUA, Donald Trump, poderá estar a usar a ameaça do fornecimento de armamento como instrumento de pressão diplomática para forçar a Rússia a negociar. “As linhas vermelhas traçadas por Moscovo já foram cruzadas sem grandes consequências”, recorda a analista.

"A Ucrânia tem sido muito eficaz em conseguir atacar alvos importantes ao nível das infraestruturas estratégicas na Rússia, o que tem debilitado a economia russa. Talvez Trump, neste momento, pense que é uma oportunidade para exercer ainda maior pressão relativamente a Putin para avançar com algum tipo de compromisso num potencial acordo negocial relativamente a este conflito", explica Cavalieri.

A comentadora da SIC destaca ainda a tentativa de Washington de endurecer a posição europeia e de conter o apoio da Índia e da China à economia russa, “num jogo de equilíbrios onde cada passo tem impacto global”. Para Cavalieri, o verdadeiro desafio passa por conseguir “constranger economicamente Moscovo” sem romper canais diplomáticos que permitam avançar para uma cimeira de paz.

A analista lembra também que Trump tem procurado reforçar o diálogo com os aliados europeus, incentivando sanções secundárias contra Pequim e uma política mais coordenada em relação à guerra. “Há uma interdependência entre a pressão militar e a pressão económica e Trump sabe jogar nesse terreno”, acrescenta.