A cidade ucraniana de Pokrovsk tornou-se o foco dos combates mais intensos entre as forças russas e ucranianas. O jornalista Rui Cardoso explica porque é que este ponto no mapa pode ter um peso simbólico e estratégico, mas dificilmente mudará o rumo da guerra.
Situada num ponto elevado e cruzada por estradas e linhas férreas, Pokrovsk é uma posição-chave na frente leste. Para Rui Cardoso, a sua eventual conquista daria à Rússia “uma vantagem tática e política”, mas não significa uma viragem decisiva:
“Putin não tem forças para fazer uma guerra de movimento para leste e conquistar grande território, não tem forças para isto (...) Pokrovsk é um ponto bastante alto, domina todo o território em redor. A sua posse torna mais fácil a defesa e permite aos defensores aperceberem-se dos movimentos dos atacantes".
Além da vantagem topográfica, a cidade é um importante nó logístico. “É um cruzamento de estradas, autoestradas e linhas de caminho de ferro. Se os russos tomarem este ponto, ganham alguma vantagem tática e podem consolidar as forças para novos avanços”.
A confirmar-se a conquista, “90 e tal por cento do Donetsk ficaria sob controlo russo o que seria um sucesso político e diplomático na perspectiva de futuras negociações”.
O inverno é outro obstáculo: “Vai começar o famoso inverno russo e ucraniano. Não dá para grandes avanços de viaturas".

