Guerra Rússia-Ucrânia

EUA pressionam Ucrânia a aceitar acordo de paz, Zelensky teme perder "principal parceiro"

Trump confirma que Kiev tem até à próxima quinta-feira para assinar o plano de paz. Presidente ucraniano fez uma declaração ao país onde avisa que terá de ser feita uma escolha: ou a Ucrânia perde o principal parceiro ou perde a dignidade.

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Os Estados Unidos ameaçam cortar o fornecimento de informações e armas à Ucrânia, de forma a pressionar Kiev a aceitar o acordo de paz. A informação é avançada por duas fontes ligadas ao tema, citadas pelas agências internacionais.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que Kiev tem até quinta-feira para assinar o acordo até à próxima quinta-feira.

“Tive muitos prazos, mas se as coisas estiverem a correr bem, tentas prolongar os prazos. Mas é quinta-feira [a data limite]”, afirmou Trump em declarações à Fox News.

O Presidente ucraniano fez esta tarde uma comunicação ao país onde avisa que terá de ser feita uma escolha: ou a Ucrânia perde o principal parceiro ou perde a dignidade.

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Volodymyr Zelenky garante que não vai trair o interesse nacional, mas admite que as próximas semanas vão ser muito difíceis e que vai estar sob muita pressão política.

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O Presidente ucraniano quer trabalhar de forma rápida e construtiva com os Estados Unidos e assegura que não irá permitir que a Rússia acuse Kiev de prejudicar o processo de paz.

Zelensky apela ainda aos ucranianos para que se mantenham unidos.

Fonte da presidência ucraniana citada pela agência France-Presse (AFP) informou que Zelensky já falou hoje por telefone com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, sobre a proposta da Casa Branca para terminar a guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022.

Reprodução Twitter/Zelensky

Os pontos-chave do plano de paz

Os 28 pontos do plano de paz para a Ucrânia, elaborado pelos Estados Unidos e pela Rússia, foram revelados na noite passada.

De acordo com o jornal The Telegraph, prevê-se que o exército ucraniano seja reduzido para apenas 600 mil soldados, cerca de metade do contingente atual.

A Ucrânia terá ainda de abdicar da utilização de mísseis de longo alcance e não pode usar força militar no território que perdeu desde 2022. Também não poderá ter tropas da NATO dentro do país.

Zelensky já tinha dito que espera discutir este plano nos próximos dias com o Presidente norte-americano Donald Trump.

Alex Brandon/AP Photo

Zelensky falou hoje também por telefone com os líderes alemão, francês e britânico para se assegurar de que as posições de princípio de Kiev têm o apoio europeu.

Friedrich Merz, Emmanuel Macron e Keir Starmer saudaram os "esforços norte-americanos" para pôr fim à guerra e asseguraram ao líder ucraniano o "apoio total e inalterado no caminho para uma paz duradoura e justa", segundo o Governo alemão.

LUDOVIC MARIN/Reuters

As tropas ucranianas enfrentam uma forte pressão no leste e sul do país, onde as forças russas progrediram nas últimas semanas, embora tenham negado a reivindicação de Moscovo da captura de Kupyansk, na província nordeste de Kharkiv, e também em relação aos seus sucessos militares na cidade estratégica de Pokrovsk, em Donetsk.

A Rússia tem ainda saturado as infraestruturas energéticas ucranianas com bombardeamentos intensivos quase diários, enquanto Kiev pede aos seus aliados mais defesas antiaéreas e realiza ataques em profundidade em solo russo contra o aparelho de guerra de Moscovo.

Com Lusa